quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Deixa a mídia trabalhar - parte I

O Seminário "Políticas públicas de acesso e permanência no ensino superior" promovido pelo Programa Conexões de Saberes da Ufes apresentou, na manhã de ontem, uma série de artigos produzidos pelos bolsistas. Me chamou muita atenção o que abordou a temática da identidade.

O assunto foi tratado de maneira muito oportuna e seguiu por um caminho que muito me agrada: a discussão sobre a influência da mídia na mudança de identidade de pessoas e grupos dos mais diversos.
Pra começar, quero deixar clara a minha posição de defesa da mídia - como se ela precisasse disso! - acredito que ela cumpre seu papel. Satanizá-la significa, no mímino, assumir uma total falta de consciência dos papéis sociais que cada um pode e/ou deve desempenhar.

Ah! Antes que eu me esqueça, ... : a palavra "mídia" ainda vai aparecer muitas vezes nesse texto. E não estou falando da mídia como canal, meio de propagação ou difusão de informações. Falo da mídia como fábrica de significados e ressignificações; como instituição; quase uma divindade.

Calma, senhores. A divindade a que me refiro é a super presencialidade que ela manifesta: você está em casa e ali está o rádio, a TV, o telefone; você sai e lá está o celular, o MP3, ...4, o jornal na banca ou com o cara que sentou ao seu lado no banco do ônibus; é o outdoor, o busdoor, o etcdoor. Não como suporte de mensagem, mas como a mensagem em si. A mídia é a mensagem (O meio é a mensagem. - McLuhan). Ela é o estilo da mensagem, a proposta, a intenção; A imagem viva do poder. No entanto, insisto, cumpre seu papel. Cabe a você decidir pela resistência (até que ponto?) ou não.

...Continua.
Fabio Chagas

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Cadê o preto que estava aqui?

Hoje entrevistei Alex Rosa de Andrade, diretor do vídeo Você viu algum negro por aí?. A matéria vai ser publicada no jornal do Programa Conexões de Saberes, da UFES. Mas nossa conversa foi tão interessante que resolvi esticar um pouco mais o tema.

Em seu documentário, Alex joga a pergunta-título, sem preparar seus entrevistados. As respostas, quase sempre negativas, mostram dois cenários: um de pouca participação do negro nos espaços privilegiados e outro em que os próprios negros não se reconhecem como tal.

Bom, a idéia, aqui, é apenas propor uma reflexão - a matéria sobre o vídeo será postada na íntegra posteriormente.

A questão agora é a seguinte: Por que os negros não se assumem negros?

A resposta parece óbvia. Há um histórico de exclusão caindo constantemente sobre os ombros negros da maior parte da população brasileira. Assim, é preciso enfrentar os padrões, os estereótipos. Mas isso acontece com o esclarecimento, com educação. E educação é um artigo de luxo no Brasil.

Me espantei, dia desses, com o comentário de um amigo: "não tem negros nas escolas". Ele havia participado do registro de dados do censo escolar, que segue o critério de auto-declaração de raça/cor do IBGE. Segundo esse amigo, curiosamente, os alunos em sua maioria, quase totalidade, se auto-declararam brancos. Até os mais pretos.

Fiquei intrigado. E preocupado.

Vejo discussões sobre cotas para negros em universidades e me pergunto onde vão dar se essa história do censo escolar não for um caso isolado. Talvez se chegue à conclusão que realmente não existem negros nas escolas.

E aí? O que vem depois?

a) Não precisamos da política de cotas nas universidades pois os pretos não estudam
b) Precisamos de cotas do ensino fundamental até a universidade

Ou nenhuma das respostas anteriores?

Mais do que discutir a questão das cotas é preciso tratar a ferida do preconceito. Somos todos iguais numa coisa: somos diferentes. E a diferença é que dá o tempero das nossas relações.


Fabio Chagas

terça-feira, 23 de outubro de 2007

No dia em que se faz trinta anos

Tudo começa assim:

Você acorda, levanta, olha para os lados e... e percebe que tá tudo exatamente do mesmo jeito.

É verdade. As pessoas me perguntam como é fazer trinta anos.

Sei lá. É assim. Como fazer dez, vinte ou vinte e cinco...

Não me incomoda, pelo contrário.

A estranheza, que mereceu tempo pra escrever sobre o tema, se deve ao fato de eu estar cheio de gente mais nova por perto, sobretudo na faculdade. Meus colegas têm em média vinte anos.

Mas acredito que me misturo bem. Afinal, o que são dez anos a mais?

A diferença entre mim e eles é que conheço alguns brinquedos Estrela de que eles nunca ouviram falar e pude assistir à versão do sítio do picapau amarelo anterior à de agora.

No mais, uma imagem que tenho forte na memória é a da multidão desolada, chorando a morte do presidente Trancredo Neves, que não chegou a assumir. José Sarney, seu vice, ocupou a presidência.

Anos mais tarde, pra ser exato, em 1989, Fernando Collor seria eleito presidente. Mas depois o caçador de marajás foi caçado e cassado.

Caras pintadas. Fora Collor. Impeachment nele. Collor fora.

Também pintei minha cara e fui pra rua, caminhando e cantando e seguindo...

Eu era engajado. Mas como tudo na vida, isso também passou.

De lá pra cá, o que ficou foi uma certa impaciência com algumas coisas. E aí me valho dos trinta anos e dos oitenta e tantos quilos pra dizer que não tenho mais peso e idade pra suportar certas bandidagens, canalhices ou, se me permitem a baixeza, certas filhodaputices. Mas isso é outro assunto.

E por agora acho que já tá de bom tamanho.

Fabio Chagas

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Editorial

Outro dia eu estava em casa, vendo, da minha janela, o rio que passa nos fundos do meu quintal. Então me brotou um pensamento meio metafórico: rio, água, passando, ali, todo dia - quanta coisa passa diante dos nossos olhos!
Comparando muito mal, parece o amontoado de informações que recebemos todos os dias e às vezes ficamos ali, parados, sem fazer nada. Não comentamos, não questionamos. Só vemos, ouvimos...
Dessa inquietação nasceu a idéia desse blog, que é falar de tudo o que for possível. Cultura, política, economia, esportes, futilidades, sociedade. Tudo.

Você vai ver.
Fabio Chagas