terça-feira, 27 de maio de 2008

Pérolas nos rins

No último feriadão, acordei bem cedo, fiz café, fui à padaria, comprei pães e jornal. Chegando em casa, sentei-me para tomar café, assistindo ao Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Vi uma matéria sobre insuficiência renal e fiquei preocupado. ACHO QUE MEU RIM PARAR!

Pra meu espanto, me descobri tão psicossomático quanto meu amigo B. Brown. O cara é quase louco. Se ouvir falar de alguém que teve um câncer no pulmão, já vai pra casa sentindo dores e no dia seguinte já está num tubo gigante daqueles de tomografia computadorizada.

Mas é verdade, passei a sentir uma dorzinha no rim esquerdo. A impressão é de que pelo menos um pedrinha tá sendo fabricada aqui dentro. E por quê uma pedra? Poderíamos ser como as ostras e produzir pérolas, já que dói um absurdo pra ser fabricada e armazenada e mais ainda pra ser expelida.
Num bate papo com uma professora, chegamos a uma outra questão: Quem a gente procura pra reclamar já que se trata de um defeito de fabricação? Responda... se puder.
Fabio Chagas

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Versão brasileira

É impressionante a já conhecida maestria dos tradutores em dar títulos, em português, para os filmes estrangeiros. Mais impressionante ainda é o fato de que quase sempre passam longe dos nomes originais.

Mas o debate, aqui, é outro, ainda que no ramo das traduções.

Me ocorreu, ao assistir a Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare que há alguns equívocos desnecessários. Dentre eles aquela estrutura textual que nos é apresentada nas legendas: frases em ordem inversa, abuso das segundas pessoas, tanto do singular quanto do plural, sem contar os adjetivos incomuns, passíveis de serem substituídos por outros menos raros.

Posso estar errado, mas imagino que o inglês de Shakespeare não tivesse essas possibilidades. Como ficaria, por exemplo, a frase "Estaria a ti sujeito meu coração"?

Até onde me consta, numa tradução muito da cachorra, sem a preocupação com possíveis enquadramentos contextuais, teríamos "My heart would be subject you"... em ordem direta, sem tu, te, ti, contigo.

Me parece que a tradução da literatura estrangeira para o nosso idioma é feita com base no rebuscamento lingüístico do português de outrora. Se compararmos a língua portuguesa dos séculos XVI eXVII com o que temos hoje, veremos o abismo que existe.

Sim, sim. Se as obras de tal época fossem traduzidas hoje, talvez não houvesse tanto formalismo. Não sou idiota a ponto de achar que Machado de Assis, por exemplo, traduziria alguma coisa utilizando-se da linguagem da internet, que é o que temos de mais atual quando se trata de linguagem.

Aliás seria até engraçado. Mas improvável. Impossível.

Fabio Chagas