sábado, 30 de abril de 2011

Assalto no Mosteiro Zen Morro da Vargem - parte III

Ainda sobre o assalto no Mosteiro, me assombra a falta de sensibilidade das pessoas em relação a situações de violência. Não acho que seria necessário uma enxurrada de telefonemas, e-mails, scraps e twits em solidariedade. Mas acredito que a sociedade está meio apática, não ligando muito, ou nada, para problemas que são de todos.  

Veja o caso do rapaz que mandou um scrap para o professor de Educação Ambiental que estava no Mosteiro na noite do assalto e foi troturado por seis horas. O texto era mais ou menos o seguinte: "Oi, soube do assalto, parece que bateram no pessoal daí, mas dá pra marcar uma visita pro dia tal?".

A leitura que faço disso é a seguinte:

E aí? Roubaram tudo né? Levaram umas porradas... Bom, mas não foi comigo, graças a Deus. Vai dar pra abrir pra eu ir visitar o lugar?

É curioso saber que pouca gente se importou com o que há por trás desse acontecimento. E não estou falando do que foi roubado nem de quem esteve envolvido na ação criminosa. Estou me referindo à falta de valores que está corrompendo nossas famílias, nossas escolas, nossas comunidades.


A charge do Amarildo expressa bem o que estou falando. Não dá mais pra se refugiar ou se esconder da violência. Onde quer que estejamos, estamos sujeitos a um assalto, um tiro, uma facada.

Assaltos a escolas, museus, igrejas já não são novidade. Estamos vivendo tempos difíceis. E parece que a tendência é piorar. Então, acho que precisamos olhar mais para a raiz do problema. Precisamos cuidar da educação, precisamos pensar em solidariedade. Precisamos reaprender a viver a dor do outro, a nos colocar no lugar do outro. A isso damos o nome de COMPAIXÃO.

Parece excesso de romantismo, parece discurso de religioso, mas é essa a única forma de se evitar conflitos e agressões: colocar-se no lugar do outro; amar o outro apesar da diferença, ou por causa dela. Mas depende de cada um fazer agora o que pode ser feito.

É como aquela velha história do fogo na floresta. Todo mundo fugindo e o beija-flor carregando uma gotinha de água no bico tentando apagar as chamas. Ou seja, tá todo mundo roubando, mas eu não preciso fazer o mesmo; tá todo mundo brigando na rua, mas eu posso nem entrar na confusão.

Acho que isso foi um desabafo. Já deu.

Fabio Chagas

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Assalto no Mosteiro Zen Morro da Vargem - parte II

Há um mês, fiquei de buscar respostas para duas questões decorrentes do assalto ocorrido no Mosteiro Zen, em 22 de março: o trauma das vítimas e a reação da sociedade a situações como aquela.

Nessa postagem vou me limitar à primeira questão: o trauma.

O aurélio dá a seguinte definição: Psiq. Agressão emocional capaz de desencadear perturbações psíquicas e, em decorrência, somáticas.

E o que tenho observado nas vítimas é exatamente isso. Já passou um mês, várias pessoas suspeita de envolvimento no assalto foram presas, mas a sensação de insegurança ainda é grande. Meu colegas ainda não dormem direito, ficam o tempo todo se vigiando, olhando para os lados, como se a qualquer momento tudo fosse se repetir. Isso acaba deixando todos nervosos e inseguros.

Dormir no Mosteiro, agora, é desconfortável.

O que se espera é que tudo possa voltar ao normal.

O que as vítimas esperam é poder dormir em paz novamente, poder sair de casa e andar pela rua, ir à feira, ao supermercado, à igreja. É não temer o cair da tarde. É não sofrer enquanto as horas passam devagar na madrugada.

Fabio Chagas