sábado, 16 de maio de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte VI

6 – Referências Bibliográficas

BARROS, Diana Luz de. Interação em anúncios publicitários. In: PRETTI, Dino (Org.) Interação na fala e na escrita. Projetos Paralelos - NURC/SP (Núcleo USP) 2a. São Paulo: Humanitas, 2003, pp. 17- 44.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 10. ed. rev. ampl. São Paulo: Paz e Terra, 2007. 698 p.(A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura)

THOMPSOM, John B. O advento da interação mediada. In: A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia / John B. Thompson; tradução de Wagner de Oliveira Brandão; revisão da tradução Leonardo Avritzer – Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1998.

BRYM, Robert. Sociologia: sua bússola para um novo mundo / Robert Brym ... [et al.] – São Paulo: Thomson Learning, 2006.

Até mais.
Fabio Chagas

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte V

5 – Discussão e Conclusões

Após extensa pesquisa sobre o celular, como mídia digital móvel que é, pudemos concluir que, apesar do caráter de novidade que ainda ronda a convergência das mídias para suportes eletrônicos, ainda não surgiram novos estilos ou gêneros com características que se qualifiquem genuinamente de celular. A publicidade e as ações de relacionamento ganharam em interatividade e apenas os formatos se adequaram, por motivos como tamanho da tela, mobilidade, velocidade/instantaneidade. Também foi possível perceber que, comercialmente, pouco se utiliza o celular como facilitador ou viabilizador de transações de compra e venda.
Inicialmente, a pesquisa seria estendida para o campo do comportamento humano, como busca de comprovação para a suspeita de que o uso contínuo de aparelhos celulares, provocam certo condicionamento comportamental dos indivíduos. Não havendo sido efetivada essa linha de investigação, permanece a suspeita sem uma comprovação de que seja factual. Permanecemos no caminho da análise dos discursos, amparando nossos trabalhos nos escritos de Diana Luz de Barros, que segue os ensinamentos do mestre Greimas, baluarte da semiótica discursiva de linha francesa, bem como na orientação da Dra. Maria Dalva Ramaldes, professora de Semiótica do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo. Durante a pesquisa, percebemosque, basicamente, a propaganda brasileira feita para celular segue, fundamentalmente, apenas um regime específico de interação entre destinador e destinatário.
Na próxima postagem, referências bibliográficas.
Fabio Chagas

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte IV

Nesta postagem, o final do tópico Resultados.

“Toda comunicação é uma forma de manipulação” (Barros, 2003), portanto, o produtor de conteúdos, que chamaremos de destinador, envia mensagens, com intermédio de uma operadora – adjuvant – no exercício do fazer persuasivo, ao usuário destinatário, a quem cabe o fazer interpretativo. A relação entre esses dois sujeitos é denominada interação. Trata-se de um fenômeno sociocultural, mas trata-se também de um fenômeno discursivo que se desenrola por meio de relações racionais, sensoriais e emocionais. A publicidade produzida para o meio digital móvel não se transforma em outra publicidade, mas se adapta ao meio, tornando-se mais rápida e contendo apenas o essencial para o entendimento da mensagem, ou em termos semióticos, o destinador quer fazer crer e o destinatário, por sua vez julga essa mensagem, acreditando ou não, assumindo ou não a proposição.

Basicamente, existem dois tipos de discursos que permeiam o universo da interação: o Enunciado enunciado e a Enunciação enunciada. O primeiro trata dos discursos organizados em terceira pessoa, num tempo e num espaço que não sugere presencialidade. Assume ares de monologismo e autoritarismo, produz efeito de distanciamento e objetividade com predominância da racionalidade. É, portanto, um discurso pouco aplicável à publicidade seja ela estática ou móvel. O segundo tipo, no entanto, é mais usual à publicidade tradicional e também foi percebida, durante a pesquisa, nos anúncios veiculados via celular. Os discursos são organizados em primeira pessoa, num tempo presente e num espaço aqui. Há ocorrência de uma relação dialógica, sensorial e afetiva e são produzidos efeitos de aproximação entre destinador e destinatário. Mas existe a possibilidades de associação entre categorias de pessoas para estabelecimento de determinados graus de interação, ou interação assimétrica.

Percebemos durante o estudo que a quase totalidade dos anúncios seguia um padrão de regime de interação como segue representado nas figuras 3 e 4: a presença da relação entre ele/ela (em vez de eu ou nós) vs você.
Figura 3. Modelo de anúncio enviado por loja a cliente.

Figura 4. Modelo de mensagem de relacionamento entre banco e cliente.
Já dissemos que a utilização da 3ª pessoa diminui a proximidade, a igualdade e a possibilidade de criação de laços entre destinador e destinatário. A 2ª pessoa, no entanto, quebra a formalidade e o distanciamento entre os interlocutores, revelando a intenção de aproximação com o destinatário. O que ocorre, na verdade, é que o destinador, ao colocar seus valores em circulação e julgamento, se apresenta em 3ª pessoa para se mostrar objetivo e sério, por se tratar de uma organização; se mostra diferente do destinatário a quem ele convida a exercer seu papel de interpretador e julgador de valores, mas atribui a esse destinatário o status de parceiro numa relação de assimetria. Um pode e quer fazer, o outro quer e depende do fazer do primeiro para obter algo.
A 3ª pessoa também pode ser implícita. Nesse caso, predominam os verbos no imperativo, atenuados pelo uso do você, fazendo o destinatário participar de uma relação de cumplicidade e comprometimento. Também podem ser empregados papéis sociais (temáticos e figurativos) na posição de destinador, com o conseqüente reforço desses papéis na relação com o destinatário. (Barros, 2003).
Os discursos, quando articulados com o uso de papéis temáticos (funções, cargos, títulos) assinalam qualidades efetivas, objetivas. Quando são organizados com o uso de papéis figurativos reforçam com credibilidade, realidade e confiança os efeitos de realidade.
Na próxima postagem, Discussões e Conclusões.
Fabio Chagas

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte III

Nesta postagem, começo a apresentar os resultados da pesquisa.
4 – Resultados
Durante nossa investigação acerca da publicidade no ambiente das mídias móveis, ou seja, o espaço-tempo quase que indeterminável – nem há necessidade de o usuário estar fixo diante de um computador nem de acessar o conteúdo num momento pré-determinado – percebemos que existe uma relação de ganho tanto para o usuário, que pode acessar os mais diversos conteúdos, através de ferramentas de fácil operacionalidade e rapidez, a qualquer momento e em qualquer lugar, quanto para o produtor dos conteúdos, uma vez que a mensagem chega a qualquer ponto com cobertura do país em poucos segundos, com custos de envio muito menores que o de ligações e malas-diretas e com índices de retorno comprovadamente maiores que os de contatos feitos por telefone ou correio. Notamos também que A telefonia digital móvel apresenta-se, então, como uma grande possibilidade de inserção de produtores e usuários num universo de novas sensações perceptuais em que a recepção de conteúdos diversos, dentre os quais a publicidade, se dá no âmbito individual, não significando, no entanto, que o usuário deva ser bombardeado com excesso de informações. Estas devem ser adaptadas ao meio e essencialmente relevantes e sucintas. As mensagens do tipo SMS, ou mensagens de texto – limitadas a 138 caracteres – obedecem à regra da simplicidade e garantem bom retorno tanto pela facilidade de envolvimento do usuário quanto pela disponibilidade do serviço na maioria, ou totalidade, dos aparelhos celulares do país.


Tabela 1. Dados referentes ao 1º trimestre de 2007. Fonte: Tela Viva



Destacando a importância das mensagens de texto na telefonia celular para apoio à propaganda estática ou como ferramenta única, caso das ações de interatividade em que o usuário envia torpedos e recebe novas dicas ou instruções para participar de jogos ou sorteios, caminhamos, com a semiótica discursiva de linha francesa, rumo à investigação dos regimes de interação utilizados pelos produtores de conteúdo para persuadir o usuário, fazendo-o crer em algo a ponto de praticar uma ação, seja ler a mensagem, mostrar a alguém ou responder ao apelo que lhe é feito. E cabe somente ao usuário receptor dessa mensagem julgar a validade do conteúdo. A partir da interpretação feita por esse sujeito acontece uma relação que pode ser ou de cooperação – o usuário se deixa persuadir – ou de conflito, isto é, uma relação de incompatibilidade de interesses.
Figura 1. Assertividade da comunicação SMS com o público. Fonte: Enpocket Inc.


Por vezes, a relação de conflito se dá por conta da escolha de uma ferramenta que não é adequada ao público a que se destina. Mas no caso das mensagens SMS os níveis de acerto costumam ser elevados.

Figura 2. Índice de rejeição do público aos meios de publicidade e relacionamento. Fonte: Enpocket Inc.


Nas próximas postagens, a continuação desse tópico.

Fabio Chagas