terça-feira, 23 de outubro de 2007

No dia em que se faz trinta anos

Tudo começa assim:

Você acorda, levanta, olha para os lados e... e percebe que tá tudo exatamente do mesmo jeito.

É verdade. As pessoas me perguntam como é fazer trinta anos.

Sei lá. É assim. Como fazer dez, vinte ou vinte e cinco...

Não me incomoda, pelo contrário.

A estranheza, que mereceu tempo pra escrever sobre o tema, se deve ao fato de eu estar cheio de gente mais nova por perto, sobretudo na faculdade. Meus colegas têm em média vinte anos.

Mas acredito que me misturo bem. Afinal, o que são dez anos a mais?

A diferença entre mim e eles é que conheço alguns brinquedos Estrela de que eles nunca ouviram falar e pude assistir à versão do sítio do picapau amarelo anterior à de agora.

No mais, uma imagem que tenho forte na memória é a da multidão desolada, chorando a morte do presidente Trancredo Neves, que não chegou a assumir. José Sarney, seu vice, ocupou a presidência.

Anos mais tarde, pra ser exato, em 1989, Fernando Collor seria eleito presidente. Mas depois o caçador de marajás foi caçado e cassado.

Caras pintadas. Fora Collor. Impeachment nele. Collor fora.

Também pintei minha cara e fui pra rua, caminhando e cantando e seguindo...

Eu era engajado. Mas como tudo na vida, isso também passou.

De lá pra cá, o que ficou foi uma certa impaciência com algumas coisas. E aí me valho dos trinta anos e dos oitenta e tantos quilos pra dizer que não tenho mais peso e idade pra suportar certas bandidagens, canalhices ou, se me permitem a baixeza, certas filhodaputices. Mas isso é outro assunto.

E por agora acho que já tá de bom tamanho.

Fabio Chagas

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