terça-feira, 7 de junho de 2011

Fundão, minha terra querida - parte V - Minhas sugestões ao novo Governo Municipal

Minhas sugestões ao novo Governo Municipal:

1 - Reunir todos os servidores e esclarecer sobre tudo o que ocorreu e o que será feito a partir de agora;
  • É claro que não há como manter 10% da população na folha de pagamento da prefeitura. Exatamente por isso, suponho que muita gente esteja se perguntando o que vai acontecer com seu emprego. Sem falar que o novo secretariado deve ser apresentado aos servidores e as novas diretrizes da atual administração comunicadas a todos.

2 - Fazer um pronunciamento oficial para toda a população, esclarecendo sobre o que ocorreu, o que será feito a partir de agora e questões relacionadas aos royalties do petróleo;

  • Assim como os servidores, os demais cidadãos precisam ser informados sobre os desdobramentos das investigações: se punidos e cassados o prefeito, o vice e os vereadores, o que vai acontecer? Novas eleições? Ou não vai mudar nada? O dinheiro supostamente desviado vai ser devolvido? Os recursos continuarão chegando? Onde serão aplicados?

3 - Atualizar as informaçãos pelos meios de comunicação, incluindo o site da Prefeitura, rádio local e redes sociais para deixar a população a par dos acontecimentos;

  • O Goveno Municipal tem a obrigação de se posicionar e faria isso de modo muito mais inteligente e eficaz se utilizando de todos os instrumentos de comunicação disponiveis. Com issso, as conversas desencontradas e os boatos diminuem consideravelmente.

4 - Abrir canal de comunicação para sanar possíveis dúvidas de servidores e demais cidadãos;

  • Um e-mail, telefone ou mesmo um programa na rádio local, semanal, para falar direto com o ouvinte, põem o prefeito em clima de sintonia e proximidade com o cidadão.

5 - Criar Conselhos Municipais, que não sejam meramente ilustrativos, com a finalidade de trazer a sociedade fundãoense para as tomadas de decisão, tornando-as muito mais representativas e menos centradas na figura e nos interesses do gestor e secretariado;

  • Quando o chefe do executivo e seu secretariado tomam as decisões sem consultar o povo, é quase certo que não representem os interesses da coletividade. Sem contar que a existência de conselhos permitem que a responsabilidade pelas decisões sejam de todos, pelos menos moralmente.

6 - Exigir e garantir que os serviços sejam prestados à população, com respeito, atenção e eficácia;
  • É evidente que em meio a tantos problemas, alguns serviços podem ficar prejudicados. O que não pode acontecer é o que vemos com muita frequência no serviço público: funcionários mal humorados, se sentindo donos do lugar, tratando sobretudo os mais pobres e menos instruídos com pouco ou nenhum apreço.

Em resumo, senhor prefeito, traga a população para o seu lado. Toda a cidade está carente de um verdadeiro líder. Esse é o seu momento.  Surpreenda o povo de Fundão. Mostre que é possível fazer muito para a população, mesmo em pouco tempo. Os cidadãos percebem quando o gestor é bem intencionado.

Ademais, caso a Justiça entenda que seja necessário haver uma nova eleição, esse momento será uma grande oportunidade para o eleitor de avaliar a atual administração.

Fabio Chagas

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fundão, minha terra querida - parte IV

Antes das minhas sugestões para o novo Governo Municipal de Fundão, preciso voltar ao assunto da abrangência que o escândalo tomou em nível nacional.

Então vejam a matéria exibida no dia 27 de maio no Jornal da Record, com apresentação de Celso Freitas e Ana Paula Padrão.

E não foi só isso. Dani Calabresa e Bento Ribeiro também fizeram uma citação durante o programa Furo MTV de 31 de maio.

Depois de tanta divulgação, o perigo é a história cair no esquecimento.

De toda forma, acredito que agora o prefeito Anderson precisa se colocar ao lado do povo. A iniciativa de solicitar uma auditoria do Tribunal de Contas é acertadíssima. O uso do terno também é bastante adequado a um prefeito (igualmente adequado aos vereadores). No entanto, o novo cargo com suas responsabilidades e a indumentária elegante não devem criar mais barreiras do que as já existentes entre o povo e o novo chefe do Executivo.

O novo prefeito deve garantir que haja transparência na condução desse novo momento.

Não posso dizer o que deve ser feito. Mas, como cidadão, posso sugerir algumas ações:

Continua...

Fabio Chagas


sábado, 4 de junho de 2011

Fundão, minha terra querida - parte III

Há mais de 15 anos, conheci em Fundão algumas figuras que me chamaram a atenção pela forma como discutiam sobre política, economia, filosofia, literatura, sociologia e tantos outros temas. O grupo, que reunia a fina flor do intelecto fundãoense e alguns simpatizantes, era o PCdoB, sob a presidência do camarada Dines Broseghini.

O Dines era um apaixonado por política, por Direitos Humanos e tinha em si, vivo, o sonho dever uma sociedade em que todos pudessem ter, sem qualquer diferença, acesso a um mínimo de dignidade. Por várias vezes tentou sem vereador, mas o pequeno município, que até hoje traz resquícios do coronelismo, do voto de cabresto e dos currais eleitorais, não estava pronto para ele.

Combativo, perspicaz e sempre muito antenado, Dines não fazia das disputas políticas brigas pessoais. Era um dos poucos cidadãos a frequentar as sessões na Câmara de Vereadores e fazer uso da tribuna para criticar, alertar, sugerir e elogiar, quando necessário. Era o único político que conheci capaz de oferecer seu capital intelectual para servir à comunidade.

Muitos políticos de Fundão procuravam Dines para pedir opiniões, tirar dúvidas, saber o que ele achava desse ou daquele assunto. Nem sempre compreendiam o pensamento do velho comunista. Mas ele não deixava de se posicionar. Aliás, não foi à toa que o camarada sofreu o horror da ditadura. Defensor dos direitos constitucionais dos brasileiros, levou às últimas consequências seu posicionamento em favor da liberdade nesse país.

Hoje, anos após sua morte, vemos, pela primeira vez, um outro camarada do PCdoB ser eleito vereador de Fundão e, por causa dos últimos acontecimentos, chegar a ser prefeito. Espero que o Prefeito Anderson Gorza honre a memória do fundador do partido, honre os votos que recebeu quando foi eletio vereador e honre muito mais a confiança que o povo lhe deposita como condutor de um novo momento na história da cidade.

O PCdoB acredita numa sociedade igualitária e, por isso, o novo prefeito deve pensar em um novo tempo de melhoria para todos. Afinal, o cargo ocupado por um político não pertence a ele, mas ao partido.

E para não dizerem que só critico ou fico cobrando dos outros, na próxima postagem vou apresentar minhas sugestões ao novo governo.

Continua...

Fabio Chagas


Fundão, minha terra querida - parte II

Na última postagem, sugeri que os políticos que sobraram na administração de Fundão partissem para o trabalho; um trabalho de reconstrução da cidade, com base na ética e no bom senso.

Acredito que tal obra deva mesmo acontecer para recuperar a autoestima dos servidores sérios e dos cidadãos de uma forma geral. Fica no ar um clima de desconfiança (ou certeza?) generalizado. É como se o simples fato de trabalhar na Prefeitura tornasse cada funcionário um desonesto ou corrupto em potencial. Mas sabemos que há gente séria trabalhando.

Sabemos também que algumas pessoas estão sendo responsabilizadas pelos atuais problemas, mas nesses casos costuma ter muito mais gente envolvida. Isso porque a estrutura administrativa está corrompida e não é de agora. Muita gente acha que estar no serviço público é razão para não cumprir horário; ir trabalhar o dia que bem entender; tratar mal os que dependem de serviços públicos, entre outro maus costumes.

Mas o que se esperar de pessoas que têm como chefes pessoas arrogantes, descomprometidas com o bem comum e, em alguns casos, sem a menor capacidade técnica exigida pelo cargo ou função; pessoas sem visão sistêmica, que não entendem a importância de seu prórpio trabalho no âmbito municipal, ou acreditam que o único trabalho importante é o seu.

Falta em Fundão, tanto por parte dos sucessivos governos - uns em menor proporção que outros- quanto por parte da população, a noção de que estão no poder pessoas escolhida por nós, para cuidar de nossos interesses. Falta a noção de que existem leis e que elas devem ser cumpridas. Falta a noção do servir.

Sem falar que, com muito menos de 900 mil ao mês, é possível servir bem à comunidade. É possível elevar o nível dos serviços prestados ao povo e, em alguma medida, ajudar a população a se sentir melhor, numa cidade em que os problemas são absurdamente menores do que os de uma metrópole.

A meu ver, o que Fundão precisa, agora, é reconhecer que o momento, além de causar uma certa indignação, é um momento de esperança (isso eu tenho ouvido bastante de uma amiga, nos últimos dias). Tenho sentido uma certa sensação de que a impunidade pode sucumbir.

Me entristece o fato de ver pessoas próximas em situação tão difícil. Elas mesmas, talvez, sendo vítimas do processo de desvalorização não apenas da cidade, mas de si mesmas...

Mas de toda forma, pensemos o que pode ser feito num lugar em que seus dirigentes se perderam e onde não há um caminho definido a se seguir. O que fazer? Em quem confiar? Quem, nesse momento, pode dizer que rumo tomar? Difícil responder. Mas mesmo assim vou tentar, nas próximas postagens, partilhar com meus leitores as coisas que imagino serem boas para minha cidade.

Então, amanhã, ou melhor daqui a pouco (considerando que estou escrevendo quase à 1:30 da madrugada), vou tratar de três situações: a abrangência do escândalo, as propostas que acho mais viáveis para o município e uma outra questão que vai tratar do cenário histórico e político-partidário de Fundão.

Continua...

Fabio Chagas