segunda-feira, 27 de abril de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte II

Hoje, estou postando os objetivos e a metodologia da pesquisa.

2 – Objetivos
A pesquisa que desenvolvemos tem por finalidade investigar novos modos de fazer comunicação; analisar como a atual e já indispensável mídia digital móvel interfere nas relações sociais, visto que é um instrumento de múltiplas possibilidades, comportando desde a simples conversa informal entre amigos e familiares até a consolidação de negócios em volumes e cifras diversos. Para o universo da publicidade, tanto quanto para as demais formas de comunicação, a mídia digital móvel, que se cristaliza sobretudo na telefonia celular, mostra-se potencialmente viável, irreversivelmente aplicável. Portanto, também nos compete questionar se, de alguma forma, promove algum tipo de condicionamento comportamental em seus usuários. Porém, antes de enveredarmos nessa direção, e antes mesmo de tratarmos da questão da comunicação em si, é necessário um contato com as linhas teóricas que orientam este trabalho; um aprofundamento nos padrões de relações sociais, nos regimes de interação – segundo a semiótica discursiva de linha francesa – e na verificação das relações do sujeito com o dispositivo de comunicação móvel e com os conteúdos veiculados.


3 – Metodologia
A partir da literatura utilizada para sustentação teórica, definimos como metodologia a delimitação do espaço teórico em torno dos regimes de interação descritos pela semiótica discursiva e estabelecidos na produção de conteúdos para veiculação via celular. Analisamos padrões de conteúdos diversos, enviados pelas operadoras a seus usuários, discutimos em grupo e com o professor orientador o fenômeno das mídias digitais móveis, fizemos leitura de textos, livros e matérias referentes ao tema e desenvolvemos textos com a mesma tônica.


Até a próxima.
Fabio Chagas

sábado, 25 de abril de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte I

Nos próximos dias, vou publicar o relatório da minha pesquisa "Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel", realizada entre ago/2007 e jul/2008, sob a orientação da professora Maria Dalva Ramaldes, doutora em Semiótica Discursiva.
Resumo: Os estudos desenvolvidos neste trabalho buscam entender a interferência da telefonia celular no cotidiano de seus usuários. Tratamos das relações sociais, seus padrões e estruturas e, com a semiótica discursiva de linha francesa, discutimos os regimes de interação presentes nos conteúdos veiculados via celular. Entendendo que temas referentes à tecnologia digital móvel são atuais e ainda pouco estudados, buscamos exemplos do dia-a-dia para realizar nossa pesquisa. Constatamos que a maioria dos conteúdos seguem regimes específicos de interação baseados numa relação entre destinador e destinatário - assumida por produtores de conteúdo e usuários, respectivamente - que têm por objetivo manter relações comercias ou, simplesmente, de relacionamento.
1 – Introdução: Ao longo da história, o desenvolvimento da humanidade se deu tendo como base uma das características mais marcantes do homem que é o fato de ser, por natureza, um ser social. Mesmo entre os grupos mais primitivos, a existência de uma organização mínima é que garantia a convivência e a sobrevivência daqueles homens num mundo tão inóspito e inseguro onde atividades – que hoje nos parecem simples – como se alimentar, por exemplo, poderiam fazer a diferença entre sobreviver ou não.

Nos nossos dias, a vida em nada se assemelha à dos nossos ancestrais. Diferentemente deles, temos uma linguagem eficiente, e os avanços tecnológicos que presenciamos – desde a invenção da roda e descoberta do fogo, passando pela criação da escrita, do papel e das máquinas de impressão de Gutenberg, sem deixar de mencionar as máquinas de fiar, as máquinas a vapor, o automóvel, o telefone, o computador e, mais recentemente, o celular – nos foram dotando de uma capacidade de escolha, (auto)determinação, comunicação e deslocamento, que beira a liberdade.

Afora os conflitos em nome da fé e da manutenção de poderes políticos e econômicos que muitas vezes impunham a grandes massas o silêncio e a obediência incontestável, várias possibilidades se nos foram apresentando no decorrer dos tempos; múltiplas facilidades; inúmeros promotores de conforto e redutores de espaço e tempo.

Respeitados os limites de cada época, sejam eles físicos e geográficos, sejam tecnológicos ou mesmo biológicos, as incontáveis populações humanas que habitaram o planeta viveram, cada qual à sua maneira, processos de socialização que se foram aperfeiçoando para permitir a interação entre indivíduos e comunidades pertencentes ou não a uma mesma cultura. Por isso, atualmente, muitos autores se ocupam do estudo desses processos. Outros tantos tratam do fenômeno da modernidade/pós-modernidade – que em seus rumos instituíram uma dinâmica veloz de constante aceleração, forçando o homem a se enquadrar em sistemas, modelos e modos de produção de bens materiais e imateriais. Em comum, todos têm se não o interesse, a necessidade de dedicar algum tempo às modalidades de comunicação que passam pelos dispositivos tecnológicos cada vez mais acessíveis às populações do mundo inteiro. Muita distância existe daquelas relações face a face desenvolvidas nos primeiros grupos sociais (Brym, 2006) – em família, com os amigos, os vizinhos, os colegas de escola, os do trabalho – passando pelas relações mediadas por bilhetes, cartas, telefone, rádio e TV até a comunicação mediada por computadores (Thompson, 1998), com aparato tecnológico altamente desenvolvido, permitindo a confluência de várias modalidades comunicacionais em um único meio (a internet) cujo alcance e potencial interatividade aliados a interesses sociais, políticas governamentais e estratégias de negócios deram origem à [...] Cultura da Virtualidade Real, [...] um sistema em que a própria realidade [...] é inteiramente captada, totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais no mundo do faz-de-conta, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam na experiência. (Castells, 2007). Mas posterior à consolidação da internet, deu-se a convergência das diversas mídias para o suporte, ou o meio, digital móvel, sobretudo na formatação física do celular, em que, numa nova realidade, abre-se o espaço de fluxos e o tempo intemporal [...]onde o faz-de-conta vai se tornando realidade.
Fabio Chagas

sábado, 11 de abril de 2009

OXacanagem

Na minha volta ao blog depois de algum tempo de inatividade trago mais um exemplo de esperteza, enganação ou sei lá o quê, praticado pela indústria.

Outro dia minha mulher foi ao supermercado e comprou um shampoo: OX Plants Cacau + Avelã e Complexo de Queratina Vegetal. O produto tem cor esbranquiçada e isso é que dá o tom do golpe. Pois não é que um terço da embalagem (a parte superior, é claro) tem a mesma cor do produto? Com isso acontecem duas coisas: 1) O consumidor não sabe exatamente quanto do produto há no frasco; 2) Tem-se a errada impressão de estar economizando, pois o frasco parece estar sempre cheio.

Isso me fez lembrar de outros casos em que a galera do marketing, da publicidade e do designer põem à prova nosso cérebro e mandam umas que são de matar. Vale lembrar que os cosméticos são campeões quando se trata de verdades questionáveis. Por exemplo...

...Um certo shampoo lançou uma embalagem chamada "Potão Econômico". Bom, se há economia, compra-se mais pelo mesmo preço ou gasta-se menos comprando a mesma quantidade. Mas no caso do potão econômico tratava-se de um pote maior, com mais produto e um preço maior. Cadê a economia?

...Rejuvenescedor facial. Esse é de matar mesmo. O comercial de um deles prometia, depois de dizer o nome complicadíssimo em inglês, promover um lifting tridimensional no seu rosto. O nome do produto, quase indizível e a que nem me atrevo tentar, já passa a idéia de solução pra todos os males. Agora, lifting, e ainda tridimensional... PELOAMORDEDEUS... se o produto é um anti-idade e todos eles prometem levantar o que a gravidade derrubou, então o lifting é óbvio; e se a cara de todas as pessoas do mundo é tridimensional, como o lifting poderia ser diferente?
Resumindo: Ou tentam nos ludibriar ou tentam nos enfiar goela abaixo o mais do mesmo travestido de última novidade do momento.
Por um lado, como publicitário - concluo meu curso em julho - entendo que os profissionais vivem o dilema de encontrar todos os dias novas maneiras de dizer o que já foi dito exaustivamente. Por outro, acredito que algumas vezes o melhor é não inventar muito.
Mas tem um outro problema: ninguém compraria o produto se não fosse o malabarismo vocabular. O povo adora coisas que não sabe nem pra que serve direito. Compra-se de tudo ou porque tá na promoção ou porque é novidade ou ainda por ser um produto que o amigo também tem. Nesse último caso já entra o fator social, aceitação num determinado grupo, mas isso é assunto pra outra hora.
Fabio Chagas