Depois de um certo tempo as coisas vão entrando no eixo, ou desandam de vez. Mas parece que, no caso da minha experiência lá em São Pedro, a tendência é continuar melhorando... as crianças já mostram ter uma certa confiança em mim. Acho que é pela minha insistência.
Outro dia percebi que a molecada estava demorando a aparecer. Sai procurando pela escola e achei minhas crianças na oficina de cartão. No melhor sentido da expressão, entrei sem pedir licença. Me joguei no meio dos cartões e comecei a falar sobre os filmes que pretendia exibir. Aos poucos eles foram aderindo e fomos para a sala de cinema.
Exibi dois curtas e começamos a discutir sobre liberdade, responsabilidade, companheirismo e respeito mútuo - esse último assunto eu insisto em puxar todo encontro, pela característica do relacionamento das crianças, às vezes ofensivo.
Bom, fomos conversando sobre os temas propostos. A certa altura um menino me pergunta:
- E a múmia?
Que múmia? Não tinha múmia em nehum dos filmes... Foi aquele rebuliço. Todos riram e o menino ficou sem graça. Procurei saber de que múmia ele estava falando e ele respondeu que havia se lembrado, naquele momento, de um filme a que havia assistido... Parei tudo.
Comecei pela múmia... As múmias, blá, blá, blá... os faraós... o Egito... as maldições... aquela velha história.
Silêncio total. Quando acabei de falar sobre as múmias, começaram a perguntar sobre um monte de coisas e a oficina de cinema na escola/direitos humanos virou uma conversa sobre conhecimentos gerais.
Ah! Ainda não falei pra eles, mas não vai dar pra exibir Tropa de Elite lá.
Fabio Chagas
Um comentário:
Tio e as múmias?
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