sexta-feira, 9 de maio de 2008

Versão brasileira

É impressionante a já conhecida maestria dos tradutores em dar títulos, em português, para os filmes estrangeiros. Mais impressionante ainda é o fato de que quase sempre passam longe dos nomes originais.

Mas o debate, aqui, é outro, ainda que no ramo das traduções.

Me ocorreu, ao assistir a Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare que há alguns equívocos desnecessários. Dentre eles aquela estrutura textual que nos é apresentada nas legendas: frases em ordem inversa, abuso das segundas pessoas, tanto do singular quanto do plural, sem contar os adjetivos incomuns, passíveis de serem substituídos por outros menos raros.

Posso estar errado, mas imagino que o inglês de Shakespeare não tivesse essas possibilidades. Como ficaria, por exemplo, a frase "Estaria a ti sujeito meu coração"?

Até onde me consta, numa tradução muito da cachorra, sem a preocupação com possíveis enquadramentos contextuais, teríamos "My heart would be subject you"... em ordem direta, sem tu, te, ti, contigo.

Me parece que a tradução da literatura estrangeira para o nosso idioma é feita com base no rebuscamento lingüístico do português de outrora. Se compararmos a língua portuguesa dos séculos XVI eXVII com o que temos hoje, veremos o abismo que existe.

Sim, sim. Se as obras de tal época fossem traduzidas hoje, talvez não houvesse tanto formalismo. Não sou idiota a ponto de achar que Machado de Assis, por exemplo, traduziria alguma coisa utilizando-se da linguagem da internet, que é o que temos de mais atual quando se trata de linguagem.

Aliás seria até engraçado. Mas improvável. Impossível.

Fabio Chagas

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