sábado, 25 de abril de 2009

Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel - parte I

Nos próximos dias, vou publicar o relatório da minha pesquisa "Regimes de Interação na Telefonia Digital Móvel", realizada entre ago/2007 e jul/2008, sob a orientação da professora Maria Dalva Ramaldes, doutora em Semiótica Discursiva.
Resumo: Os estudos desenvolvidos neste trabalho buscam entender a interferência da telefonia celular no cotidiano de seus usuários. Tratamos das relações sociais, seus padrões e estruturas e, com a semiótica discursiva de linha francesa, discutimos os regimes de interação presentes nos conteúdos veiculados via celular. Entendendo que temas referentes à tecnologia digital móvel são atuais e ainda pouco estudados, buscamos exemplos do dia-a-dia para realizar nossa pesquisa. Constatamos que a maioria dos conteúdos seguem regimes específicos de interação baseados numa relação entre destinador e destinatário - assumida por produtores de conteúdo e usuários, respectivamente - que têm por objetivo manter relações comercias ou, simplesmente, de relacionamento.
1 – Introdução: Ao longo da história, o desenvolvimento da humanidade se deu tendo como base uma das características mais marcantes do homem que é o fato de ser, por natureza, um ser social. Mesmo entre os grupos mais primitivos, a existência de uma organização mínima é que garantia a convivência e a sobrevivência daqueles homens num mundo tão inóspito e inseguro onde atividades – que hoje nos parecem simples – como se alimentar, por exemplo, poderiam fazer a diferença entre sobreviver ou não.

Nos nossos dias, a vida em nada se assemelha à dos nossos ancestrais. Diferentemente deles, temos uma linguagem eficiente, e os avanços tecnológicos que presenciamos – desde a invenção da roda e descoberta do fogo, passando pela criação da escrita, do papel e das máquinas de impressão de Gutenberg, sem deixar de mencionar as máquinas de fiar, as máquinas a vapor, o automóvel, o telefone, o computador e, mais recentemente, o celular – nos foram dotando de uma capacidade de escolha, (auto)determinação, comunicação e deslocamento, que beira a liberdade.

Afora os conflitos em nome da fé e da manutenção de poderes políticos e econômicos que muitas vezes impunham a grandes massas o silêncio e a obediência incontestável, várias possibilidades se nos foram apresentando no decorrer dos tempos; múltiplas facilidades; inúmeros promotores de conforto e redutores de espaço e tempo.

Respeitados os limites de cada época, sejam eles físicos e geográficos, sejam tecnológicos ou mesmo biológicos, as incontáveis populações humanas que habitaram o planeta viveram, cada qual à sua maneira, processos de socialização que se foram aperfeiçoando para permitir a interação entre indivíduos e comunidades pertencentes ou não a uma mesma cultura. Por isso, atualmente, muitos autores se ocupam do estudo desses processos. Outros tantos tratam do fenômeno da modernidade/pós-modernidade – que em seus rumos instituíram uma dinâmica veloz de constante aceleração, forçando o homem a se enquadrar em sistemas, modelos e modos de produção de bens materiais e imateriais. Em comum, todos têm se não o interesse, a necessidade de dedicar algum tempo às modalidades de comunicação que passam pelos dispositivos tecnológicos cada vez mais acessíveis às populações do mundo inteiro. Muita distância existe daquelas relações face a face desenvolvidas nos primeiros grupos sociais (Brym, 2006) – em família, com os amigos, os vizinhos, os colegas de escola, os do trabalho – passando pelas relações mediadas por bilhetes, cartas, telefone, rádio e TV até a comunicação mediada por computadores (Thompson, 1998), com aparato tecnológico altamente desenvolvido, permitindo a confluência de várias modalidades comunicacionais em um único meio (a internet) cujo alcance e potencial interatividade aliados a interesses sociais, políticas governamentais e estratégias de negócios deram origem à [...] Cultura da Virtualidade Real, [...] um sistema em que a própria realidade [...] é inteiramente captada, totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais no mundo do faz-de-conta, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam na experiência. (Castells, 2007). Mas posterior à consolidação da internet, deu-se a convergência das diversas mídias para o suporte, ou o meio, digital móvel, sobretudo na formatação física do celular, em que, numa nova realidade, abre-se o espaço de fluxos e o tempo intemporal [...]onde o faz-de-conta vai se tornando realidade.
Fabio Chagas

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