Deixei o tempo passar pra poder falar com propriedade sobre esse lugar. Agora, depois de quase dois anos conhecendo o Zenkoji no detalhe, no dia-a-adia, posso ser mais preciso nas minhas observações.
"O que se faz num mosteiro?" Sempre me fazem essa pergunta quando digo onde trabalho. "Vocês ficam meditando o dia todo?"
Não seria má ideia, mas não dá pra ficar meditando o dia todo. O Mosteiro atua em três frentes de trabalho, atendendo a mais de 20 mil pessoas por ano. Vêm, de todo o Brasil e do exterior, pessoas de todas as idades, etnias e religiões, para participar dos programas desenvolvidos nas áreas ambiental, cultural e religiosa.
Prática Religiosa
O Mosteiro Zen Morro da Vargem é o único da América do Sul com uma estrutura que permite receber de 80 a 100 pessoas para participar dos retiros espirituais (Sesshin) que têm duração de quatro ou sete dias.
Durante os retiros, os participantes vivenciam uma prática constante de observação, trabalho e aprendizado. A disciplina, a organização e a busca pela atenção plena são trabalhadas em todas as ativididades. Tudo é treinamento e tudo é envolvido por uma série de detalhes: a posição dos calçados, dos talheres, das mãos, a respiração, etc. E nada impede que pessoas das mais diversas denominações religiosas, ou mesmo sem religião, participem dos retiros.
Além da realização dos Sesshin, O Mosteiro também forma monges e monjas - isso é o que difere um mosteiro de um templo budista - e ordena os leigos, praticantes que vivem fora do mosteiro, têm suas famílias, negócios, mas dedicam algum tempo à prática budista.
Costumo comparar os ordenados leigos com algumas figuras de outras religiões pra ficar mais fácil de entender a posição deles. Na igreja católica, por exemplo, o equivalente aos ordenados seriam os ministros de eucaristia, ministros de batismo e testemunhas qualificadas para o matrimônio. Nas igrejas evangélicas, seriam equivalentes aos servos, obreiros, presbíteros, diáconos ou evangelistas.
Meio Ambiente
O Programas de Educação Ambiental e Ecoalfabetização desenvolvidos pelo Polo de Educação Ambiental Mosteiro Zen Morro da Vargem foram criados com o intuito de promover vivências sócioambientais, de valorização do ser humano e qualidade de vida. São direcionados para estudantes, grupos de terceira idade, turistas e outros grupos de todo o Espírito Santo.
Destaca-se entre as atividades ambientais o Programa Zenzinho, criado em 1996. No início, atendia alunos do ensino fundamental. Atualmente, atende também aos estudantes do ensino médio.
O Zenzinho é um programa que foca o ser humano e mostra como podemos aprender a cuidar de nós mesmos, do outro e do lugar em que vivemos. Por meio de diversas atividades ecopedagógicas o estudante desenvolve o espírito de unidade, de grupo e companheirismo, o senso de responsabilidade com o meio e vivencia, na prática, o cuidado e o respeito à natureza.
Além dos programas de educação ambiental, o mosteiro que também é uma A.R.I.E. (Área de Relevante Interesse Ecológico - uma modalidade diferenciada de área de preservação ambiental em que a palavra chave é a SUSTENTABILIDADE) também apoia pesquisas científicas e desenvolve, juntamente com Governo do Estado, o Programa ComPaz, que faz uma aproximação entre a ética policial e uma vivência sócioambiental.
Durante três dias, policiais militares mergulham num treinamento de disciplina, concentração, atenção e autoconhecimento que pode ser comparado ao treinamento da polícia japonesa, uma das melhores polícias do mundo.
Cultura
Acredito que toda instituição deveria apoiar iniciativas culturais e sociais. Afinal, todos somos resultado da evolução de do aperfeiçoamento de diversas gerações e todas as civilizações, em algum momento de seu desenvolvimento, apresentaram traços artísticos e culturais,ainda que essas nomenclaturas sejam relativamente recentes.
Cultura e religião se alimentam e se fortalecem mutuamente trazendo para o cotidiano elementos característicos como a arquitetura, o vestuário e a culinária. Aqui, tudo isso se materializa em nossos templos, roupas e na nossa alimentação.
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