Na noite da última terça (22), um grupo fortemente armado invadiu o Mosteiro Zen de Ibiraçu, fez dois reféns e levou vário equipamentos e um automóvel. A motivação do crime seria um cofre de que nunca se ouviu falar.
Mas todos os detalhes do ocorrido já foram exaustivamente noticiados pelos jornais e programas de rádio e TV.
O que me faz escrever sobre o assunto é exatamente o que não foi falado, aquilo que os gravadores, as câmeras fotográficas e as filmadoras não registraram: o olhar das vítimas, o tremor nas mãos, o embargo na voz.
Nenhum reporter conseguiu ou procurou saber se doíam mais os cortes no corpo ou as dores na alma. Ninguém viu o que meus olhos presenciaram: um homem de 40 anos, com uma vida inteira dedicada à educação, aos prantos, questionar a validade de seu trabalho.
Ninguém ouviu o que meus ouvidos flagraram: a voz trêmula e copiosa de uma irmã desesperada a procura de informações sobre esse homem. Ninguém soube da dúvida que acortinava o olhar e fazia definhar uma mãe que questionava "Você sabe o que fizeram com o meu menino?"...
Pois é. Para as mães somos sempre crianças. E qual não teria sido a tristeza dessa mãe se, naquela semana, ganhasse de presente de aniversário (79 anos) o velório do filho mais novo.
Basicamente, me preocupam duas coisas: 1) Como ficam as vítimas, no que diz respeito ao trauma? e 2) Como a sociedade encara situações de violência?
Vamos ver se conseguimos responder a essas questões nas próximas postagens.
Fabio Chagas
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