Ainda sobre o assalto no Mosteiro, me assombra a falta de sensibilidade das pessoas em relação a situações de violência. Não acho que seria necessário uma enxurrada de telefonemas, e-mails, scraps e twits em solidariedade. Mas acredito que a sociedade está meio apática, não ligando muito, ou nada, para problemas que são de todos.
Veja o caso do rapaz que mandou um scrap para o professor de Educação Ambiental que estava no Mosteiro na noite do assalto e foi troturado por seis horas. O texto era mais ou menos o seguinte: "Oi, soube do assalto, parece que bateram no pessoal daí, mas dá pra marcar uma visita pro dia tal?".
A leitura que faço disso é a seguinte:
E aí? Roubaram tudo né? Levaram umas porradas... Bom, mas não foi comigo, graças a Deus. Vai dar pra abrir pra eu ir visitar o lugar?
É curioso saber que pouca gente se importou com o que há por trás desse acontecimento. E não estou falando do que foi roubado nem de quem esteve envolvido na ação criminosa. Estou me referindo à falta de valores que está corrompendo nossas famílias, nossas escolas, nossas comunidades.
A charge do Amarildo expressa bem o que estou falando. Não dá mais pra se refugiar ou se esconder da violência. Onde quer que estejamos, estamos sujeitos a um assalto, um tiro, uma facada.
Assaltos a escolas, museus, igrejas já não são novidade. Estamos vivendo tempos difíceis. E parece que a tendência é piorar. Então, acho que precisamos olhar mais para a raiz do problema. Precisamos cuidar da educação, precisamos pensar em solidariedade. Precisamos reaprender a viver a dor do outro, a nos colocar no lugar do outro. A isso damos o nome de COMPAIXÃO.
Parece excesso de romantismo, parece discurso de religioso, mas é essa a única forma de se evitar conflitos e agressões: colocar-se no lugar do outro; amar o outro apesar da diferença, ou por causa dela. Mas depende de cada um fazer agora o que pode ser feito.
É como aquela velha história do fogo na floresta. Todo mundo fugindo e o beija-flor carregando uma gotinha de água no bico tentando apagar as chamas. Ou seja, tá todo mundo roubando, mas eu não preciso fazer o mesmo; tá todo mundo brigando na rua, mas eu posso nem entrar na confusão.
Acho que isso foi um desabafo. Já deu.
Fabio Chagas

Um comentário:
Todo dia venho aqui ler um pouquinho.Adoro quando escreve, e nem ligo de ter que competir o computador com você.
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