Na última postagem, sugeri que os políticos que sobraram na administração de Fundão partissem para o trabalho; um trabalho de reconstrução da cidade, com base na ética e no bom senso.
Acredito que tal obra deva mesmo acontecer para recuperar a autoestima dos servidores sérios e dos cidadãos de uma forma geral. Fica no ar um clima de desconfiança (ou certeza?) generalizado. É como se o simples fato de trabalhar na Prefeitura tornasse cada funcionário um desonesto ou corrupto em potencial. Mas sabemos que há gente séria trabalhando.
Sabemos também que algumas pessoas estão sendo responsabilizadas pelos atuais problemas, mas nesses casos costuma ter muito mais gente envolvida. Isso porque a estrutura administrativa está corrompida e não é de agora. Muita gente acha que estar no serviço público é razão para não cumprir horário; ir trabalhar o dia que bem entender; tratar mal os que dependem de serviços públicos, entre outro maus costumes.
Mas o que se esperar de pessoas que têm como chefes pessoas arrogantes, descomprometidas com o bem comum e, em alguns casos, sem a menor capacidade técnica exigida pelo cargo ou função; pessoas sem visão sistêmica, que não entendem a importância de seu prórpio trabalho no âmbito municipal, ou acreditam que o único trabalho importante é o seu.
Falta em Fundão, tanto por parte dos sucessivos governos - uns em menor proporção que outros- quanto por parte da população, a noção de que estão no poder pessoas escolhida por nós, para cuidar de nossos interesses. Falta a noção de que existem leis e que elas devem ser cumpridas. Falta a noção do servir.
Sem falar que, com muito menos de 900 mil ao mês, é possível servir bem à comunidade. É possível elevar o nível dos serviços prestados ao povo e, em alguma medida, ajudar a população a se sentir melhor, numa cidade em que os problemas são absurdamente menores do que os de uma metrópole.
A meu ver, o que Fundão precisa, agora, é reconhecer que o momento, além de causar uma certa indignação, é um momento de esperança (isso eu tenho ouvido bastante de uma amiga, nos últimos dias). Tenho sentido uma certa sensação de que a impunidade pode sucumbir.
Me entristece o fato de ver pessoas próximas em situação tão difícil. Elas mesmas, talvez, sendo vítimas do processo de desvalorização não apenas da cidade, mas de si mesmas...
Mas de toda forma, pensemos o que pode ser feito num lugar em que seus dirigentes se perderam e onde não há um caminho definido a se seguir. O que fazer? Em quem confiar? Quem, nesse momento, pode dizer que rumo tomar? Difícil responder. Mas mesmo assim vou tentar, nas próximas postagens, partilhar com meus leitores as coisas que imagino serem boas para minha cidade.
Então, amanhã, ou melhor daqui a pouco (considerando que estou escrevendo quase à 1:30 da madrugada), vou tratar de três situações: a abrangência do escândalo, as propostas que acho mais viáveis para o município e uma outra questão que vai tratar do cenário histórico e político-partidário de Fundão.
Continua...
Fabio Chagas
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