Hoje entrevistei Alex Rosa de Andrade, diretor do vídeo Você viu algum negro por aí?. A matéria vai ser publicada no jornal do Programa Conexões de Saberes, da UFES. Mas nossa conversa foi tão interessante que resolvi esticar um pouco mais o tema.
Em seu documentário, Alex joga a pergunta-título, sem preparar seus entrevistados. As respostas, quase sempre negativas, mostram dois cenários: um de pouca participação do negro nos espaços privilegiados e outro em que os próprios negros não se reconhecem como tal.
Bom, a idéia, aqui, é apenas propor uma reflexão - a matéria sobre o vídeo será postada na íntegra posteriormente.
A questão agora é a seguinte: Por que os negros não se assumem negros?
A resposta parece óbvia. Há um histórico de exclusão caindo constantemente sobre os ombros negros da maior parte da população brasileira. Assim, é preciso enfrentar os padrões, os estereótipos. Mas isso acontece com o esclarecimento, com educação. E educação é um artigo de luxo no Brasil.
Me espantei, dia desses, com o comentário de um amigo: "não tem negros nas escolas". Ele havia participado do registro de dados do censo escolar, que segue o critério de auto-declaração de raça/cor do IBGE. Segundo esse amigo, curiosamente, os alunos em sua maioria, quase totalidade, se auto-declararam brancos. Até os mais pretos.
Fiquei intrigado. E preocupado.
Vejo discussões sobre cotas para negros em universidades e me pergunto onde vão dar se essa história do censo escolar não for um caso isolado. Talvez se chegue à conclusão que realmente não existem negros nas escolas.
E aí? O que vem depois?
a) Não precisamos da política de cotas nas universidades pois os pretos não estudam
b) Precisamos de cotas do ensino fundamental até a universidade
Ou nenhuma das respostas anteriores?
Mais do que discutir a questão das cotas é preciso tratar a ferida do preconceito. Somos todos iguais numa coisa: somos diferentes. E a diferença é que dá o tempero das nossas relações.
Fabio Chagas
Em seu documentário, Alex joga a pergunta-título, sem preparar seus entrevistados. As respostas, quase sempre negativas, mostram dois cenários: um de pouca participação do negro nos espaços privilegiados e outro em que os próprios negros não se reconhecem como tal.
Bom, a idéia, aqui, é apenas propor uma reflexão - a matéria sobre o vídeo será postada na íntegra posteriormente.
A questão agora é a seguinte: Por que os negros não se assumem negros?
A resposta parece óbvia. Há um histórico de exclusão caindo constantemente sobre os ombros negros da maior parte da população brasileira. Assim, é preciso enfrentar os padrões, os estereótipos. Mas isso acontece com o esclarecimento, com educação. E educação é um artigo de luxo no Brasil.
Me espantei, dia desses, com o comentário de um amigo: "não tem negros nas escolas". Ele havia participado do registro de dados do censo escolar, que segue o critério de auto-declaração de raça/cor do IBGE. Segundo esse amigo, curiosamente, os alunos em sua maioria, quase totalidade, se auto-declararam brancos. Até os mais pretos.
Fiquei intrigado. E preocupado.
Vejo discussões sobre cotas para negros em universidades e me pergunto onde vão dar se essa história do censo escolar não for um caso isolado. Talvez se chegue à conclusão que realmente não existem negros nas escolas.
E aí? O que vem depois?
a) Não precisamos da política de cotas nas universidades pois os pretos não estudam
b) Precisamos de cotas do ensino fundamental até a universidade
Ou nenhuma das respostas anteriores?
Mais do que discutir a questão das cotas é preciso tratar a ferida do preconceito. Somos todos iguais numa coisa: somos diferentes. E a diferença é que dá o tempero das nossas relações.
Fabio Chagas
27 comentários:
É nesse que é pra comentar? =b
Adorei..............
(Raquel e Taciana depois de discutirem a cerca do assunto).
Chegamos a conclusão de que a maior parte das pessoas tem vergonha de admitir que são negras devido ao auto-preconceito.Isso devido ao fato de que já são décadas de exclusão e preconceito da sociedade, onde o negro ainda é visto sob um olhar de inferioridade,e no qual ele é submetido não só pela sociedade mas como também pela mídia a um padrão europeu "DE BRANCURA" no qual o indivíduo só será incluído se for branco ou supostamente branco, o que é pior.Porque é esse fato que faz com que se crie um desejo próprio da natureza humana de se sentir parte de algo, mesmo que para isso tenha que abdicar de sua identidade.
A representação do negro na mídia só confirma essa tendência a inferiorizar o negro pois ele sempre aparece como bandido, macumbeiro e serviçal salvo raras exceções.O que acaba imbutindo na população o parâmetro de que só o branquinho do cabelo liso é bonito e se dá bem.Isso tudo vem reforçando a idéia de que ser negro e se considerar negro é desvantagem.Até porque o que se aprende na escola e que não mudou muito hoje em dia é que a cultura européia é superior e a negra se resume a macumba e capoeira como se não houvesse mais nada além disso.Já que a diferença que nos iguala acreditamos que o discurso correto a se propagar é que devemos respeitar as diferenças e acima de tudo apreciá-las da forma como são.
eu achei super interessante o vídeo do Alex por abordar a temática dos negros e ainda mais interessante as reações das pessoas ao se falar do tema, além do olhar dele ao mostrar os serventes da Ufes que são na sua maioria negros.
Percebe-se o que o negro só tem espaço em cargos de baixa qualificação e que a maioria deles não tem sequer oportunidade de sonhar com um curso superior.
Legal o comentário das meninas que me faz lembrar a discussão que a gente teve na sala de que o negro só é bonito se tiver traços de brancos, ou seja, não se respeita a sua individualidade.
Acho importante essas dicussões do vídeo e do blog para que se perceba que o preconceito realmente existe e se faça alguma coisa pra mudar a situação.
Bem,
Depois de muito ouvir e discutir esse semestre letivo sobre cotas na universidade, não sei se cheguei exatamente a uma conclusão exata ou apenas procurei entender do que realmente o problema se tratava, mas enfim ai vai.
Mais pontualmente sobre as cotas na universidade, creio que a iniciativa é muito válida. Não é justo penalizar os jovens que estão 'as portas' do vestibular e que não tiveram condições de prestar um ensino de qualidade desde sempre, para assim concorrer ao infame sistema escludente do vestibular. Mas é claro que somente com as cotas o gravíssimo problema extrutural da educação brasileira não irá se resolver. Medidas emergenciais como estas cumprem o papel de irem de encontro aos problemas mais graves, mas de forma alguma serão conclusivas no processo de melhoria da extrutura dos mesmos.
Acredito que a implantação do sistema de cotas,raciais/socias deve ser um braço que irá conduzir à melhorias mais abrangentes. As cotas devem ser muito mais um meio doque um fim e nesse sentido a implantação de cotas em favor dos menos favorecidos seria realmente bastante interessante não apenas no contexto do ingresso à universidade, mas nas mais diversos setores influentes da sociedade, como nas artes, na publicidade e etc.
Rodrigo 5°-PP
O assunto cotas gera muitas polêmicas e envolve muitas questões.
Sou contra as cotas raciais, mas a favor das sociais. Acredito que uma pessoa negra tem tanta capacidade física e mental quanto uma pessoa branca. E, se é fato que grande parte de negros tem uma condição financeira ruim - como apontam as estatísticas - eles estariam incluídos nas cotas sociais.
As cotas sociais vão ajudar a diminuir um pouco a desigualdade entre ricos e pobres. Eu sempre estudei em escola pública e sei como é difícil chegar num vestibular e ter que concorrer com alunos do Darwin, do Nacional, que sempre tiveram acesso a bons professores e contaram com laboratórios e bibliotecas atualizadas. Na escola pública, os alunos não contam com livros didáticos no segundo grau, laboratório é um sonho utópico (e como faz falta nas aulas de química...) e, muitas vezes, eles tem que enfrentar até a falta de cadeiras e mesas na sala de aula. É injusta essa competição e, se as cotas sociais fossem aprovadas para todas as universidades federais do país, talvez veríamos mais ex-alunos de escola pública cursando um curso superior.
Eu concordo que as cotas não vão resolver o problema, pois ele vem se arrastando desde a época da colonização do Brasil. Mas talvez seja um primeiro passo, em busca de uma sociedade mais justa.
Jaqueline, 5º PP
Eu fiz em tópicos.
- Pedro concorda com o que foi dito sobre auto-preconceito. E acha que muito mais gente tem preconceito do que parece; primeiro porque quem sabe que tem não admite nem fodendo, segundo porque tem gente que tem e nem se toca disso.
- Pedro também acredita que "que uma pessoa negra tem tanta capacidade física e mental quanto uma pessoa branca" (e morre de rir com esse tipo de declaração). Cotas raciais não deveriam nem ser discutidas. Cotas socias são ok, mas seria realmente mais legal abolir o vestibular pra sempre, porque ele é um sistema idiota demais para ser remotamente considerado válido.
- Eu sempre estudei em escola particular e tem muito professor de merda no Darwin e no Nacional. Aluno do Darwin e do Nacional tem laboratório e biblioteca, mas só frequenta quando é necessário pra passar de ano. Proporcionalmente à quantidade de alunos, o Darwin aprova até pouca gente no vestibular. Nada a declarar sobre as demais escolas.
- O legal das cotas sociais não é diminuir a diferença entre ricos e pobres (Pedro acha), é transformar mais gente em classe-média (seja lá o que isso signifique). A diferença entre os ricos e resto-do-mundo ia continuar a mesma.
- As cotas sociais só são legais com trocentos outros projetos para melhorar a educação, etc.
Será que podia fazer em tópicos?
Sem querer chegar a conclusão alguma, há de se pensar no fato de por que as pessoas não querem se assumir enquanto negras, creio que esse já um fator elementar para se admitir que no Brasil existe muito mais discriminação do que se pensa e o pior, preconceito velado, além de negros não se assumirem como negros, existem preconceituosos que não reconhecem seu preconceito (e acredito que na maioria dos casos isso acontece involuntariamente), então como discutir a questão racial de forma consciente, sem cair nos clichês, se nos deparamos de cara com esses dois impasses?
Entrando na questão das cotas, como não admitir que precisamos sim de uma política de cotas? (eu já fiz um exercício, já contei quantos negros haviam na minha turma! Sugiro que outras pessoas o façam também)
Bom, se devo me posicionar aqui, acho sim que um programa de cotas deve ser adotado, inclusive de cotas raciais e sem a parcialidade dos 40% na segunda fase adotado pela UFES. É urgente criar-se uma alternativa à essa cultura (sustentada por diversos fatores, é óbvio), onde possibilidades não são dadas de maneira, pelo menos, razoavelmente iguais.
E discordando de uma menina de alguma escola de ensino privado, que em alguma manifestação sobre questão das cotas, disse, em cima de um trio elétrico, que "nós das escolas particulares merecemos mais passar no vestibular, do que os alunos da rede pública, pois estudamos mais", acho que antes de merecerem passar no vestibular, eles merecem refletir mais sobre a realidade em que vivem, é ao contrário do que pensam.
putz... eu postei como anônima sem querer!
Fui eu. Mariana, que escrevi aí em cima!!!
hehehehehehe...
Alguma coisa eu já disse em aula. Ainda teria muito por dizer sobre o assunto, mas vou tentar ser suscinto.
Há muito ando bastante intrigado em relação ao racismo, especialmente contra negros. Após entrar na universidade então, isso começou a me preocupar bastante. Vivemos num país que tenta provar que não é racista. Que muito se orgulho em ser o país do futebol, do samba, da diversidade cultural, da miscigenação... Muito legal, mas...Somos um país racista na prática sim. Que segrega as pessoas de cor pela economia em primeiro lugar.
Cadê os negros que deveriam estar na universidade? Em cargos de relevâncias na sociedade? Em espaços privilegiados? Não sei. Não os encontro significativamente no curso. Quando os vejo na universidade é sempre assim, 1 em 40, 2 em 100. Tamanha a raridade. Tudo bem, tudo bem, é fato que alguns negros no Brasil tem oportunidades e muitos prosperam em muitas áreas. Mas no total é uma parte escandalosamente ínfima da população. Qual o papel social que o negro exerce dentro da sociedade? A proposta do vídeo era justamente para problematizar essas questões. Só que o vídeo acabou por denunciar também que tem uma parcela grande da população que mesmo tendo a pele escura não se identifica como negro. Que muitos não se orgulham de se declarar negro. Talvez pelo peso negativo que a palavra negro carrega. Talvez. Reflexões acerca disso seriam inúmeras. O fato é que esse comportamento, lamentavelmente, reforça ainda mais o racismo.
Quanto as famigeradas cotas na universidade, cada vez mais chego a conclusão de que a repulsa por elas nada mais é que uma defesa de interesses de classe. Na prática da classe média o Brasil é, e tem que continuar sendo um país de brancos. Nisso os discursos de critérios de seleção meritocráticos são sempre defendidos com unhas e dentes. Daí eles propõem que os negros estudem mais, façam mais cursinhos, tentem o vestibular outra vez. Pois eles tem as mesmas capacidades intelectuais e blá, blá, blá. Diferenças raciais são biologicamente irrelevantes sim, mas as diferenças político-sociais e culturais não podem ser ignoradas. Muitos defendem o sistema de seleção do vestibular sem sequer perceber que a eqüidade é socialmente regressiva. Privilegia o acesso dos mais preparados, ou seja, dos filhos dos setores sociais mais instruídos, que “pagam” mais imposto de renda. O negro se inclui nisso? Não. Os negros são sim os menos instruídos e os que realizam os trabalhos mais mal remunerados na sociedade. Opor-se a isso defendendo a meritocracia é considerar de forma igual os desiguais. É não enxergar que o abismo social brasileiro é indecente.
Essa questão de cotas para negros é um pouco contraditória. Como resolver a questão racial separando esse é negro e esse é branco?? Querem acabar com a diferença utilizando a própria diferença...assim fica difícil vencer o preconceito e colocar na cabeça de todos que somos iguais.
Mais complicado ainda será definir nesse Brasil miscigenado quem é que cor.
Eu estou com a Jaque. Sou a favor de cotas sociais. Acho que os alunos de escolas públicas ficam em desvantagem ao concorrer com alunos de particulares. Nas cotas sociais os desfavorecidos – seja negro, branco ou amarelo – teriam maiores chance de cursar um ensino superior.
Mas como todos nós sabemos deve-se mesmo é resolver os problemas da educação desde a base. (Todo mundo diz isso, mas fazer o que né, é a verdade). Enquanto não se revolve, acho viável como medida emergencial as cotas sociais na universidade.
Essa questão de cotas para negros é um pouco contraditória. Como resolver a questão racial separando esse é negro e esse é branco?? Querem acabar com a diferença utilizando a própria diferença...assim fica difícil vencer o preconceito e colocar na cabeça de todos que somos iguais.
Mais complicado ainda será definir nesse Brasil miscigenado quem é que cor.
Eu estou com a Jaque. Sou a favor de cotas sociais. Acho que os alunos de escolas públicas ficam em desvantagem ao concorrer com alunos de particulares. Nas cotas sociais os desfavorecidos – seja negro, branco ou amarelo – teriam maiores chance de cursar um ensino superior.
Mas como todos nós sabemos deve-se mesmo é resolver os problemas da educação desde a base. (Todo mundo diz isso, mas fazer o que né, é a verdade). Enquanto não se revolve, acho viável como medida emergencial as cotas sociais na universidade.
pq o meu postou duas vezes???
huahuhauhauhaua
Depois de ler sobre o assunto e participar de alguns debates envolvendo as Cotas para negros chego a conclusão de que elas realmente são válidas e acima de tudo necessárias. O vídeo de Alex só confirmou a situação na qual nos deparamos todos os dias aqui na Ufes.É mais fácil achar um negro limpando um prédio do que um dentro de uma sala de aula como aluno.
Acredito sim que as cotas raciais são benéficas como medidas emergenciais, mas temo que os governantes do nosso país se acomodem com essas medidas não melhorando assim o ensino de base. (sobre as cotas raciais eu fico por aqui, já que muito do que ia expor já foi dito).
Achei muito interessante a questão levantada no texto de Fábio sobre o fato de os negros não se assumirem como tal e concordo plenamente com os argumentos utilizados por Tatau e Ofhélia. Como se assumir como negro em um país onde há sim o preconceito racial, embora ele seja negado? E o fato de ser negado ainda o torna pior. Pois como ver o Brasil livre desse preconceito se para boa parte da população ele não existe?
"Já que a diferença que nos iguala acreditamos que o discurso correto a se propagar é que devemos respeitar as diferenças e acima de tudo apreciá-las da forma como são." (Ofhélia e Taciana). ---> Achei lindo isso e penso que é por aí!!! Viva a diferença!!! UHAuauhauhahha
Bom, a respeito da cotas, mesmo não tendo uma opinião completamente formada, creio que seja uma atitude favorável, uma vez que não se pode comparar de forma alguma o ensino privado com o público. Concordo que somente estudantes e negros de escolas públicas devem ter esse “privilégio”, esse direito, pois a partir do momento que um negro está inserido no meio privado de educação, ele pode ser igualmente comparado ao branco, tendo em vista que, também, capacidade intelectual não o falta.
Não vejo a menor diferença entre negros e brancos. Lógico que o preconceito existe, mas concordo quando o Fábio relata que existe um preconceito deles contra eles mesmos uma vez que não se assumem negros. Talvez não sejam os próprios os maiores discriminadores, mas sem dúvida são, em números, bastante consideráveis, como comprova o IBGE.
Acho que o governo do Espírito Santo tem que tomar providências grandiosas em relação ao ensino superior público antes de implantar rápida e drasticamente as cotas.
Conversando com estudantes de escolas particulares que estão prestando vestibular esse ano, percebi que a maior revolva não é pelo fato das cotas estarem sendo implantadas e sim pelo fato do Espírito Santo só ter a UFES como universidade federal, sendo assim, esses alunos acreditam estarem sendo desmerecidos, pois querem mais opções para que possa justamente se chegar a igualdade social/educacional merecida.
Por fim, acredito que o preconceito racial foi imposto ao longo do tempo, que ainda existe fortemente e que vai continuar existindo, porém, a igualdade, mesmo que inicialmente restrita a algumas áreas, pode ser alcançada sim. Comecemos pela nossa capacidade de perceber que somos igualmente capazes, que temos igualmente direitos e, principalmente, que temos obrigação (igualmente) de lutar por uma educação de qualidade acessível a todos. Negros e brancos, pobres e ricos, sem acreditar que isso seja uma mera utopia.
Parabéns Fábio! Muito legal!
Milena
5º período PP
Bom pessoal, sou a favor das cotas, tanto para os estudantes de escolas públicas quanto para os negros e indígenas. A grande questão e poucos discutem é que a educação chegou a um ponto ridículo em nosso país em que seja preciso de uma intervenção política emergencial para reparar os danos que o capitalismo e a falta de planejamento social e político deixaram.
O estudo se tornou um risco... sim um risco! Quem garante que teremos lugar no mercado com diploma em mãos ? Graduação hoje é requisito básico. Os negros sabem disso e nós tb.
Sem essa de auto preconceito. quem aqui nunca pensou em dar um tempo nos estudos de graduação para se aventurar em concursos???
Da mesma forma estudantes de baixa renda fazem... abandonam o sonho da universidade para uma proposta de trabalho imediato. O sistema de ingressão na universidade é excludente e preconceituoso.
A indústria do vestibular é feroz no nosso estado.
A nova proposta de cotas vem desafiar tudo isso.E o que a maioria considera com um possível contraste pelo campus eu prefiro apostar em harmonia.
Logo que o amigo Alex produziu o video sobre negros na ufes, eu criei um anúncio sobre o assunto e divulguei na cacos lista.
Confiram então o anúncio ele sintetiza bem ( e aí quem for bom em semiótica) o meu modo de pensar sobre preconceito racial. no meu blog.
http://oficinadeideias.wordpress.com/2007/06/20/anuncio-de-concientizacao-nao-ao-preconceito-racial/
esse é o link.
Abraços do Elbinho.
A princípio eu era contra as cotas nas universidades, talvez por não ter parado para discutir o assunto de forma mais aprofundada. Depois de nossa aula de Legislação em Comunicação passei a ter outra visão acerca do assunto: posso dizer que agora eu sou a favor. Mas essa é só uma solução emergência, é só o começo. Além das cotas, deve ter toda uma política voltada para a inclusão de negros às escolas e universidadesa e, principalmente, para o fim do preconceito, tanto dos brancos com os negros, quanto dos negros com a sua própria cor de pele. É triste, medonho, vergonhoso (não sei qual é a melhor palavra para essa situação), ouvir (no meu caso ler) um comentário como o que o amigo de Fabio fez, que "não há negros nas escolas", que os próprios alunos não se auto-declaram negros (e a realidade é outra: a maioria dos alunos das escolas fundamentais públicas é negra, como nossa outra colega de classe, Jaqueline, já expôs pra gente). Afinal, como o meu amigo Fabio já disse, "somos diferentes. E a diferença é que dá o tempero das nossas relações."
Bom, assunto de cotas sempre haverá forte discussão..
poruqe privilegiará uns e não outros, porque negro não se sente negro e branco discrimina cota racial porque isso é preconceito, poque negro se sente discriminado com isso também, porque muito branco é egoísta e sempre quer o melhor pra ele e assim por adiante.
Eu não tenho uma opnião completamente formada sobre isso...toda vez que tento concluir meu pensamento acerca deste assunto, me vem uma reviravolta de opniões novamente que me fazem voltar ao início da discussão. Mas sempre achei que a base da melhora do país seria a educação (alíás, seria não, é!) e sempre continuarei achando. O ensino deve mudar no sistema público urgentemente. Mas será que se ele mudar os que estudam em escolas públicas irão dar valor?? Será que eles irão pra escola?? É uma coisa que sempre penso a respeito e não sei se iria mudar a educação das classes mais baixas se o nível das escolas mudassem. Mas, voltando o assunto dos negros...do qual sempre nos distanciamos por ter tanta coisas que rodeia o mesmo assunto...eu acho que esse país ta longe de mudar algum preconceito. Como a maioria dos países do mundo. E o mais engraçado (ou não!!) é que esse país é feito, na sua maioria, por negros e misturados e brancos e amarelos e cinzas, azuis e etc. Ele não tem uma maioria branca para que esta discrimine os negros. A maioria dos jogadores bons de futebol são negros, e as sambistas fodas das escolas de samba, são negras, e a maioria dos que nos assegura nos prédios, escolas e etc cmo seguranças, são negros. Eles são, muitas vezes, nosso orgulho e são negros.
Não sei mais o que concluir diante de tanta contradição, mas sempre pensarei que é pura discriminação por consequências de cuasas antigas, por exemplo...
ninguém quer ser pobre e, se a maioria dos pobres são negros, eu não me sentirei um negro e mostrarei a todos que não sou também. Bom,minha opnião está aí.
O intrigante é que sempre todos acham que deva mudar a situação, mas nunca muda nada. Assim como na política, e violência, e isso e aquilo....
O preconceito contra afro-descendentes é tão grande que até mesmo muitos negros têm. Esse sentimento está tão enraizado no povo brasileiro que o negro sente vergonha de se declarar como tal, e afirmar sua identidade de origem pobre e marginalizada.
Um dos grandes fatores que irá contribuir para tal pensamento é nossa sociedade de consumo e os meios de comunicação, que exaltam a cultura do homem branco e estabelecem como padrão de beleza e sucesso o antigo modelo europeu de brancura.
O primeiro passo para a se estabelecer uma igualdade é reconhecer as diferenças entre as pessoas, identificando que há no Brasil uma dívida social de 500 anos com os negros que sempre foram considerados uma raça inferior.
Por isso, neste caso eu sou a favor das cotas para negros. Acho que é dever do Estado garantir que todos tenham o mesmo direito de entrar em uma universidade. E se através de melhoria no ensino fundamental e médio o processo for muito demorado, é de grande valor ceder como medida emergencial vagas para negros.
Contudo, faz-se necessário criar programas eficientes dentro das universidades para que o cotista consiga acompanhar as aulas sem muitos problemas.
Bom, as cotas têm sido um assunto bastante poêmico ultimamente, e não é para menos. O assunto é bem delicado e merece ser discutido e estudado minuciosamente.
Ainda não tenho uma visão muito positiva acerca das cotas raciais (já as sociais sou totalmente a favor). Talvez seja uma utopia minha, mas acredito que apesar de ser uma forma válida de resolução a curto prazo de um problema grave, não é a melhor forma de consertar a sociedade racista em que vivemos. Nem sempre o caminho mais fácil é o melhor. Acredito que se deva dar condições iguais de educação aos negros para eles poderem competir com maior dignidade a concursos de qualquer tipo. Como sei que isso é muito difícil e demoraria anos para se realizar, creio que seria muito melhor então criar cotas para ensino fundamental e médio. Escolas públicas e particulares (principalmente!) deveriam ter um espaço reservado para os menos favorecidos socialmente e também para os que sofrem qualquer tipo de preconceito. Isso poderia ser feito de uma forma parecida que o prouni, que disponibiliza vagas em universidades particulares. Com certeza se houvesse políticas desse tipo em todas as escolas, isso se refletiria diretamente na quantidade de negros existentes em universidades.
Não sei bem se somente cotas em vestibular são suficientes. Não acredito que o "nível" das faculdades vão cair, como algumas pessoas dizem, mas acho que os negros, assim como os brancos, índios, amarelos, pardos e todas as raças (se é que seja necessário essa divisão dos humanos em raças...) deveriam ter o direito de uma educação de base de qualidade para depois poder ter condições de competir com igualdade entre si em qualquer vestibular, concurso, emprego.
Seria sonhar demais? Prefiro acreditar que não. E bato palmas ao Fábio pelo feliz comentário de que o melhor de tudo mesmo, é conviver com essas maravilhosas diferenças.
Avaliei os comentários dos que postaram até agora, 21 h do dia 9/12.
Esta atividade vale 5 pontos, portanto avisem aos alunos flutuantes que sem essa nota, a Prova Final é uma certeza. Foram 17 comentários, contando com o artigo original. Pela minha pauta, ainda faltam 10 alunos.
Vou aguardar até amanhã.
Abs,
Fábio.
PS. Parabéns a todos pelos comentários. Uma forma de cristalizar nossas discussões de sala de aula. Adorei esse instrumento.
PS2. Parabéns Fábio pelo texto e ao Alex pelo vídeo. Iniciativas louváveis.
Concordo com o Fábio. Há muito preconceito, tanto da parte dos negros quanto dos brancos. Mas ainda não concordo com a parte das cotas. Aceito tranquilamente as cotas para escolas públicas, uma vez que sabendo que nossas escolas publicas não nos deram, em sua maioria, uma boa base para muita universidade. E o que sobra, são as particulares, com mensalidades fora da realidade daqueles que recorrem a ela. Assim, acredito que a inserção imediata de alunos com renda baixa nas universidades federais é essencial. É uma medida paliativa. E se vê a importância que dão, esses alunos de baixa renda, a ascensão social, quando se vê o resultado do vestibular e nota-se que a esmagadora maioria prestou para Medicina e Direito.
Mas voltando ao assunto dos negros. Fico preocupada quando a palavra ‘negro’ toma um peso anormal. Deveríamos ser considerados iguais. Nem deveríamos considerar uma diferença. OU melhor, devemos, mas no sentido que o Fabio comentou, nos somos iguais perante nossas diferenças. E isso eu acho bonito...e real. E fico abismada quando vejo que a palavra ‘negro’ é ainda mais pesada para os próprios negros. Realmente não sei o que fazer para mudar isso, alem de ser meio individualista e fazer a minha parte. Não vejo ninguém pela sua cor e acredito que todos temos os mesmos direitos.
Quanto ao vídeo do Alex, fui ao festival esse ano e adorei a reação das pessoas. Todos riem, mas de desconforto. É comido ver alguém não se assumindo como negro. E isso incomoda também. O melhor é quando, no final do filme, a coisa fica seria e faz as pessoas refletirem. Por isso continuo o parabenizando pelo belo trabalho, dos mais difíceis, de incomodar e de fazer refletir.
Então, desde o primeiro momento em que a discussão de cotas para negros começou vigorosamente a ser debatida, a mais ou menos uns 3 anos atrás, eu as considero necessárias. Tudo bem que ao
longo desse tempo ouvi diversos argumentos contrários, que de fato fazem pensar. Mas matenho minha posição.
Ora, é fato que ao longo de toda a história os negros não tiveram oportunidades, foram tratados como desiguais. Pode ser o argumento mais clichê de todos, por isso é válido. E parece que ao longo da historia moldou-se um instinto social que enxerga com indiferença a posição de um negro num cargo de nível baixo e quase nenhum dentro de uma universidade, um negro que pede, e quase nenhum que é pedido.
O sistema de cotas, é claro, não é maravilhas das maravilhas de uma medida social, pois é evidente que o ideal seria um projeto a longo prazo, em que se pelo menos tentasse amenizar o preconceito, respeitar as individualidades e extinguir a diferença de oportunidades de aprendizado, desde cedo. Mas ai é que está a questão, como fazer isso?? não digo que é utopia,mas é um troço de suar a camisa!
Ai é que entram as cotas, uma medida emergencial, como raquel já citou, mais do que justa, e não vejo muitas outras alternativas, para que não só os netos ou bisnetos dessa geração (e olhe lá) possa ter o mínimo de igualdade de renda, cargos e conhecimento, mas tb um pedaço da geração atual.
Com relação à visão do negro para si proprio, quando dizemos que vivemos numa sociedade racista e sem oportunidades homogêneas, isso tb inclui alguns negros, ou indios, ou amarelos etc... Não em um sentido pejorativo, mas pelo fato de que eles mesmos foram também influenciados por essa espécie de "brancocultutra", onde tudo merece ser encaixado nesse molde, e dos quais, infelizmente muitas pessoas dão preferência a tal molde, do que perceber que sua diferença talvez seja sua maior virtude.
Tentando ser o mais breve possível. Meu argumento sobre cotas raciais em universidades e qualquer outro tipo de instituição sempre se baseou no seguinte: Quando um governo concede vantagens a um indivíduo em decorrência de sua raça ou descendência, ele comete um crime de mesmo peso que o de excluir esse indivíduo pelos mesmos motivos.
Eu sempre me bitolei nessa idéia, desde a primeira vez que mencionaram algo sobre cotas na UFES. Desde então venho percebendo que faltou interpretação da minha parte, e assim como muita gente que comentou aqui, desde aquele protesto do início de 2006, repensei sobre o assunto e agora reconheço que a sociedade precisa urgentemente equilibrar essa balança que sempre pendeu pra um lado só, desde os primeiros afrodescendentes no Brasil.
E graças a essa urgência, a proposta imbecil de cotas para negros foi aprovada na UFES.
Eu queria que alguém me explicasse de que forma exatamente as cotas pretendem aumentar o orgulho negro no Espírito Santo.
Se é que essa relação de orgulho negro e cotas já não é falha desde a implantação das mesma. 5% para negros e, futuramente, 50% para estudantes que sempre estudaram em escolas públicas (cuja grande maioria também é conhecida como "estudantes com vergonha de admitir sua afrodescendência").
A solução não é, nem de longe, criminalizar os "envergonhados", não é isso que estou querendo dizer. Se existem tantas pessoas que sofrem desse auto-preconceito, como já foi comprovado, isso acontece por algum motivo, que não, não é mesmo, a exclusão dos afrodescendentes no processo seletivo.
A culpa está na elite racista e mascarada que comanda o Espírito Santo. Os negros não são só tratados, como também ainda são considerados, meros animais de carga.
Na elite urbana e, principalmente, na agrária, quem veio do interior sabe. Minha família, que é meramente classe média batalhadora veio, e se tem uma coisa que me envergonha neles é isso, o preconceito é explícito em várias situações.
Mas ninguém é mais responsável por essa cagada histórica do que a mídia capixaba, claro. Está lá o caso do garoto negro, seu tênis no shopping vitória e o dia da consciência negra. Alguma rede de TV ou rádio deu sinal de vida sobre o assunto até agora? E alguma deu sequer a cobertura merecida às comemorações do dia do ocorrido?
As redes de TV e rádio capixabas não estão nem aí pro assunto. O movimento GLBTS, por exemplo, por alguma razão, tem muito mais espaço. Como se nota nos dias do orgulho gay e de luta contra a AIDS. Que vergonha. Seu eu fosse preto, tenho minhas dúvidas, mas acho que eu também me escondia.
em relação ao auto-preconceito, percebo que ainda existe muito. os próprios negros têm dificuldades em se assumir e eles mesmos acabam se excluindo. o desrespeito por sua vez, ainda é muito grande por parte de outras raças, acaba rolando uma afastamento pelos dois lados. isso é uma questão muito complexa. como acabar com uma realidade que já vem de centenas de anos atrás apenas propondo o sistema de cotas? a questão não está em conceder aos negros algumas vantagens para tentar amenizar a situação.
a mudança precisa estar dentro de cada individuo, negro, branco ou amarelo.cada um precisa se aceitar e aceitar o outro.
o sistema de cotas não resolverá o problema da discriminação , miséria e exclusão social.
Não bastam cotas. Se o critério para o ingresso for apenas cor da pele, certamente teremos outros problemas. Ou cairá o nível do ensino ou se acentuará o desnível, frustrando o desejo e a expectativa do próprio negro, que não poderá acompanhar os colegas, ou, pior, teremos profissionais de segunda categoria .
O positivo da discussão sobre as cotas, para quem é a favor ou contra, é a colocação do problema social da Nação, que inclui o projeto amplo de um Brasil a ser construído, a partir das lideranças de todos os setores e a população em geral, fundados em uma verdadeira democracia. A autêntica sociedade democrática se funda nas oportunidades para todos em igualdades de condições. É urgente aumentá-las para que, em um futuro próximo, não seja necessário que haja cotas para ninguém.
Atualmente ouvimos dos defensores do mito da democracia racial brasileira a idéia de que superaremos a grande desigualdade racial brasileira através da melhoria da educação. Dizem eles que como não temos problemas raciais no Brasil facilmente sairemos deste abismo em que nos encontramos se tivermos uma escola pública de qualidade, isto é, com professores bem pago e de excelente formação, uma boa infra-estrutura física e logística nas escolas, acesso a todo tipo de tecnologia educacional possível aos alunos no universo escolar e horário integral.
Esta proposta se encarada com seriedade merece de todos nós aplausos e apoio. Embora não acredite que venceríamos todos os problemas sociais apenas com a democratização da estrutura educacional brasileira, devo reconhecer que seria um passo importante para desmontarmos parte do apartheid social e racial existente. Seria fantástico se pudéssemos ter nossas escolas públicas funcionando dessa forma e ver nosso filhos tendo a oportunidade de aproveitar desse direito básico estabelecido constitucionalmente.
Entretanto, se fizermos uma digressão histórica veremos que esta proposta de educação é filha de uma época determinada, e mais, de uma estrutura de Estado determinada. Um Estado que surgiu a partir de um acordo de classes instituido numa Europa arrasada pela 2 Guerra Mundial e sob a ameaça da expansão soviética. Nestas circunstâncias, uma burguesia débil e temerosa aceitou melhorar as condições de vida da população em geral, em troca do abandono, por parte dos trabalhadores, dos ideais comunistas e da sua militância em partidos operários. Daí nascem a social-democracia e o Estado do Bem-Estar Social, o "Welfare State", que pretendia prioritariamente combater a miséria e garantir direitos como moradia, saúde, educação, previdência e o emprego. Após a instauração desse acordo temos, como bendisse Hobsbawn, "os 25 anos áureos do capitalismo".
Hoje, infelizmente o "Welfare State" vem sendo destruído pela burguesia, e o que restou em muitos países são escombros. Basta observarmos o exemplo francês que recentemente passou por uma grave crise com a revolta de jovens imigrantes contra a situação atual, sobretudo, do sistema educacional francês e a falta de oportunidade de empregos e sua conseqüente precarização. Na Europa, somente os países nórdigos mantêm a duras penas e sob forte crítica burguesa e com muitos desvios a estrutura construída a partir do "Welfare State".
A nova centralidade do Estado, estabelecida a partir dos governos Thatcher e Reagan e que se universalizou com a derrubada do muro de Berlim e a queda da URSS privilegia não mais a atenuação das desigualdades, mas pelo contrário, o aumento delas, introduzindo a competição como um fator de progresso para toda a sociedade. Em suma, o neoliberalismo, a que estamos submetidos tirou da página da história do capitalismo qualquer retorno as proposições sociais-democratas e de seu Estado do Bem-Estar. Neste sentido, qualquer sugestão, no âmbito do capitalismo, em particular brasileiro, levando em consideração o histórico de atrocidades cometidas por nossas elites, que apresente a educação como saída se converte em engodo, em falácia, em ideologia pura.
Historicamente, o movimento negro e os movimentos sociais no seu conjunto vêm discutindo a problemática racial e propondo soluções para essa questão. Reconhecemos a luta pelo socialismo como um aspecto fundamental para transformar esta realidade. Contudo, não podemos deixar de lado os elementos específicos que enfrentamos.
Há muitos que vêem as ações afirmativas como proposições equivocadas e como remissão do capitalismo para um de seus problemas estruturais, visto que onde há capitalismo, há racismo. Mas temos que vê-las de outra forma, como proposições nossas, surgidas a partir de nossos enfrentamentos e como conseqüência deles. Há bastante tempo, o movimento negro, com a solidariedade de outros movimento sociais, traz a reparação racial como elemento essencial de nossa luta e è importante que não esqueçamos disto. Precisamos compreender que esta proposta sai das entranhas do movimento, de nossos embates, de nossas tensões, de nosso choro, alegrias e sofrimentos. Querem nos convencer de que essa proposta é alienígena, estrangeira, anglófila, mas isso não e verdade.
Por fim, gostaria de lembrar que há um Estatuto da Igualdade Racial a ser votado no Congresso Nacional e de que precisamos, antes de tudo, de unidade nesta guerra, e que sem ela, não chegaremos a lugar algum, é fundamental convencermos a sociedade brasileira de que teremos um país melhor e mais justo se conseguirmos aprová-lo.
www.pelenegra.blogspot.com
Postar um comentário