Vejamos a seguinte situação: a criatura possui um sobrenome do tipo xxxxetti, xxxnaglia, tipicamente italiano. Suponha que o avô da mãe do bisavô da tia da empregada do pai desse ser, que nasceu e vive, por exemplo, em Santa Teresa - ES, Brasil, tenha nascido, vivido e morrido na Itália. Quantas gerações se foram? Guerras, revoltas, tempestades e dores de barriga provocaram alterações culturais profundas nesse povo. Hoje o nosso ítalo-brasileiro, morador de Santa Teresa inventa de reivindicar o reconhecimento de sua cidadania italiana.
Eu pergunto: Ele é italiano?
E respondo: Não. Mas é bonito ser europeu, ou ao menos descendente.
Engraçado. Nunca vi ninguém reivindicando o reconhecimento de uma cidadania africana.
Bom, deixa pra lá. O fato é que, se o índio for considerado índio de verdade mesmo sem penas e tintas pelo corpo, isso configura uma grande inconveniência para o branco. Ao passo que, se este puder transitar livremente pelo primeiro mundo, valendo-se de sua distante descendência, tá tudo certo.
Mas o assunto era a mídia e a influência dela na formação e transformação da nossa identidade. E mesmo parecendo que a coisa desandou, acredito que continuamos no caminho. Claro, mesmo os índios são hoje modificados pela mídia. Há casos de antropólogos que ensinaram a povos de tribos distantes uma da outra a utilizar equipamentos de filmagem com o intuito de registrarem suas práticas culturais e trocarem entre si esse vídeos como forma de mútuo aprendizado e registro para futuras gerações.
Volto, então à minha defesa da mídia. Há possibilidades de utilização positiva do universo midiático, com valorização da cultura, transmissão de conhecimentos e difusão de temas educativos. Não devemos ser inocentes a ponto de achar que a mídia destina-se somente a isso. Como já foi citado anteriormente, a mídia se vale das características e elementos da pós-modernidade para se fortalecer e difundir os valores daqueles que detêm o poder da comunicação. Cabe a cada um, discernir o que é viável, ou conveniente; reagir ou não; enfim, fazer as escolhas que julgar mais acertadas e arcar com as conseqüências decorrentes.
Faça a mídia sua parte. Fazemos nós a nossa.
Fabio Chagas
Nenhum comentário:
Postar um comentário