sábado, 11 de abril de 2009

OXacanagem

Na minha volta ao blog depois de algum tempo de inatividade trago mais um exemplo de esperteza, enganação ou sei lá o quê, praticado pela indústria.

Outro dia minha mulher foi ao supermercado e comprou um shampoo: OX Plants Cacau + Avelã e Complexo de Queratina Vegetal. O produto tem cor esbranquiçada e isso é que dá o tom do golpe. Pois não é que um terço da embalagem (a parte superior, é claro) tem a mesma cor do produto? Com isso acontecem duas coisas: 1) O consumidor não sabe exatamente quanto do produto há no frasco; 2) Tem-se a errada impressão de estar economizando, pois o frasco parece estar sempre cheio.

Isso me fez lembrar de outros casos em que a galera do marketing, da publicidade e do designer põem à prova nosso cérebro e mandam umas que são de matar. Vale lembrar que os cosméticos são campeões quando se trata de verdades questionáveis. Por exemplo...

...Um certo shampoo lançou uma embalagem chamada "Potão Econômico". Bom, se há economia, compra-se mais pelo mesmo preço ou gasta-se menos comprando a mesma quantidade. Mas no caso do potão econômico tratava-se de um pote maior, com mais produto e um preço maior. Cadê a economia?

...Rejuvenescedor facial. Esse é de matar mesmo. O comercial de um deles prometia, depois de dizer o nome complicadíssimo em inglês, promover um lifting tridimensional no seu rosto. O nome do produto, quase indizível e a que nem me atrevo tentar, já passa a idéia de solução pra todos os males. Agora, lifting, e ainda tridimensional... PELOAMORDEDEUS... se o produto é um anti-idade e todos eles prometem levantar o que a gravidade derrubou, então o lifting é óbvio; e se a cara de todas as pessoas do mundo é tridimensional, como o lifting poderia ser diferente?
Resumindo: Ou tentam nos ludibriar ou tentam nos enfiar goela abaixo o mais do mesmo travestido de última novidade do momento.
Por um lado, como publicitário - concluo meu curso em julho - entendo que os profissionais vivem o dilema de encontrar todos os dias novas maneiras de dizer o que já foi dito exaustivamente. Por outro, acredito que algumas vezes o melhor é não inventar muito.
Mas tem um outro problema: ninguém compraria o produto se não fosse o malabarismo vocabular. O povo adora coisas que não sabe nem pra que serve direito. Compra-se de tudo ou porque tá na promoção ou porque é novidade ou ainda por ser um produto que o amigo também tem. Nesse último caso já entra o fator social, aceitação num determinado grupo, mas isso é assunto pra outra hora.
Fabio Chagas


Um comentário:

Anônimo disse...

ÒTIMO O PONTO DE VISTA.ADOREI O BLOG.