Há mais de 15 anos, conheci em Fundão algumas figuras que me chamaram a atenção pela forma como discutiam sobre política, economia, filosofia, literatura, sociologia e tantos outros temas. O grupo, que reunia a fina flor do intelecto fundãoense e alguns simpatizantes, era o PCdoB, sob a presidência do camarada Dines Broseghini.
O Dines era um apaixonado por política, por Direitos Humanos e tinha em si, vivo, o sonho dever uma sociedade em que todos pudessem ter, sem qualquer diferença, acesso a um mínimo de dignidade. Por várias vezes tentou sem vereador, mas o pequeno município, que até hoje traz resquícios do coronelismo, do voto de cabresto e dos currais eleitorais, não estava pronto para ele.
Combativo, perspicaz e sempre muito antenado, Dines não fazia das disputas políticas brigas pessoais. Era um dos poucos cidadãos a frequentar as sessões na Câmara de Vereadores e fazer uso da tribuna para criticar, alertar, sugerir e elogiar, quando necessário. Era o único político que conheci capaz de oferecer seu capital intelectual para servir à comunidade.
Muitos políticos de Fundão procuravam Dines para pedir opiniões, tirar dúvidas, saber o que ele achava desse ou daquele assunto. Nem sempre compreendiam o pensamento do velho comunista. Mas ele não deixava de se posicionar. Aliás, não foi à toa que o camarada sofreu o horror da ditadura. Defensor dos direitos constitucionais dos brasileiros, levou às últimas consequências seu posicionamento em favor da liberdade nesse país.
Hoje, anos após sua morte, vemos, pela primeira vez, um outro camarada do PCdoB ser eleito vereador de Fundão e, por causa dos últimos acontecimentos, chegar a ser prefeito. Espero que o Prefeito Anderson Gorza honre a memória do fundador do partido, honre os votos que recebeu quando foi eletio vereador e honre muito mais a confiança que o povo lhe deposita como condutor de um novo momento na história da cidade.
O PCdoB acredita numa sociedade igualitária e, por isso, o novo prefeito deve pensar em um novo tempo de melhoria para todos. Afinal, o cargo ocupado por um político não pertence a ele, mas ao partido.
E para não dizerem que só critico ou fico cobrando dos outros, na próxima postagem vou apresentar minhas sugestões ao novo governo.
Continua...
Fabio Chagas
Um comentário:
Ei amigo! Gostei do seu blog! Atual, crítico e com um toque de semsibilidade.Abraços e manda ver!
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