"Traga-me um copo d'água
Tenho sede
E essa sede pode me matar..."
(Tenho sede - Gilberto Gil)
Tenho sede
E essa sede pode me matar..."
(Tenho sede - Gilberto Gil)
Já não é viável sequer cantar essa música do nosso ministro da cultura. Com todo esse problema da água mineral contaminada aqui no Espírito Santo, parece que não só a sede mas também a água "[...] pode me matar [...]".
Primeiro foi o leite, que além de todos os reais benefícios que todos já conhecemos passou também a ser ofertado nas versões desinfetante altamente corrosivo e descolorante capilar, com o princípio ativo dos compostos NaOH (soda cáustica) e H2O2 (água oxigenada), respectivamente. Fora a brincadeira, de muito mau gosto diga-se de passagem, o fato é que um dos alimentos tidos como indispensáveis na alimentação estaria sendo adulterado com o intuito de aumentar o prazo de validade - caso do leite distribuído em embalagens tipo longa vida (caixinha).
A soda cáustica, se ingerida pode causar desde irritações até perfurações na mucosa intestinal. A água oxigenada pode provocar gastrite, entre outras coisas. Mais do que uma irresponsabilidade, essa atitude de algumas cooperativas produtoras de leite configura um crime. Em face disso muitas pessoas foram presas e muitos produtos foram apreendidos.
Agora a onda é com a água. Quando todo mundo achava que água mineral era o supra-sumo da pureza a vigilância sanitária jogou um balde de água fria - livre de coliformes fecais, espero - sobre nossas cabeças. Estamos consumindo água contaminada por coliformes e por uma bactéria que pode provocar dor de barriga. Já são 12 (A Gazeta) ou 13 (A Tribuna) marcas capixabas de água mineral proibidas de serem comercializadas no estado.
Ontem, Dulce Rosa Gustavo, minha vizinha, acompanhou, bem de perto, agentes da vigilância sanitária de Fundão, quando estes recolhiam embalagens, ainda lacradas, das casas dos consumidores. Segundo ela, Luiz, o entregador de água e gás, também teria participado da operação. Ele devolvia aos clientes o valor pago pela água.
Vamos ver onde tudo isso vai dar. Com certeza, os preços vão subir. É claro. Não tem água boa aqui. Os comerciante terão que comprar fora do estado. Isso eleva o custo do produto. Conclusão: vai doer no bolso.
Só me surge agora o seguinte pensamento: Tanta frescura com a água da Cesan... menino, não bebe água da torneira que dá verme!...
Pois é...
Fabio Chagas
2 comentários:
Vejo que Dulcinéia teve sua importancia na divulgação deste assunto,rs.
Adorei o texto, as colocações e sua análises viu.
Beijos
Em 2006, uma pesquisa do curso de Ciências Sociais da Universidade da Amazônia (UNAMA) verificou, entre outras coisas, que há na maioria dos rótulos das águas minerais a informação com o índice de NITRATO (NO3-). Quanto menor o valor dessa substância melhor será a qualidade da água. Vale dizer que o NITRATO não é adicionado nas águas pelas indústrias, mas aparece, "naturalmente", como uma indicação de que há, na fonte, algum tipo de contaminação. A informação sobre os índices de NITRATO presente nas águas está, no rótulo, no item Composição Química. Segundo estudos nacionais e internacionais que examinaram a qualidade de outras águas, o NITRATO pode ser prejudicial à saúde, principalmente para crianças com menos 01 ano de idade. A Portaria n° 518/04, do Ministério da Saúde diz que o Valor Máximo Permitido de NITRATO é de 10 mg/l. Só para que se tenha uma idéia, do subsolo da Região Metropolitana de Belém, cinco indústrias retiram águas “minerais” e cada uma delas comercializam águas com índices de NO3- bem diferentes. São eles: 0,1 e 0,2 mg/litro; 0,70 mg/litro; 1,4 e 1,47 mg/litro; 6,1 mg/litro; 20,4 e 38,5 mg/litro. Esteja atento, pois NEM TODA ÁGUA ENGARRAFADA É MINERAL. Mas isso está escrito nos rótulos, só é preciso que o consumidor o leia.
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