Na última postagem, citei rapidamente a viagem que fiz a Porto Seguro - BA. Eu e minha noiva saímos de Fundão - ES na manhã da quarta-feira de cinzas, com um casal de amigos. Paramos na entrada para Conceição da Barra para nos juntarmos a um outro casal de amigos, que havia passado o carnaval lá. Seguimos.
Logo após passarmos por Teixeira de Freitas, já na Bahia, percebi que havia uma intensa movimentação de crianças às margens da rodovia - curiosamente, havia mais crianças no sentido contrário ao que seguíamos. Olhei mais atentamente e percebi que elas ficavam com as mãozinhas estendidas, esperando que alguém lhes atirasse uma moedinha qualquer.
O choro compulsivo de uma daquelas crianças ficou como que fixado na memória. É como se houvesse em mim uma tela vazia e, de repente, aquela imagem se cristalizasse, ou se estampasse (melhor) em cores de dor e angústia. A pele marrom da criança, com uma terra avermelhada ao fundo, permitindo apenas que, aqui ou ali, um e outro arbusto mais cinza que verde, meio sapecados pelo sol se sustentasse o suficiente para fazer um pouco de sombra para aquele semi-ser à beira da estrada. Parece exagero, mas imagine ou tente achar dignidade naquela pessoa...
Por vários quilômetros fiquei em silêncio. Triste. Tentei fotografar, filmar, mas pensei que seria até desumano. Eu não parei, não joguei uma moeda, apenas diminui a velocidade. Ademais tudo aquilo já havia sido registrado em mim.
Além das crianças, havia velhos também. Às vezes em pé, outras vezes sentados sob pequenas cabanas. Ao lado, não havia mais do que a fome e uma plaquinha na qual o carvão expressava em péssimo português a péssima condição em que viviam aquelas pessoas: "Presizamos de alimentos".
Logo após passarmos por Teixeira de Freitas, já na Bahia, percebi que havia uma intensa movimentação de crianças às margens da rodovia - curiosamente, havia mais crianças no sentido contrário ao que seguíamos. Olhei mais atentamente e percebi que elas ficavam com as mãozinhas estendidas, esperando que alguém lhes atirasse uma moedinha qualquer.
O choro compulsivo de uma daquelas crianças ficou como que fixado na memória. É como se houvesse em mim uma tela vazia e, de repente, aquela imagem se cristalizasse, ou se estampasse (melhor) em cores de dor e angústia. A pele marrom da criança, com uma terra avermelhada ao fundo, permitindo apenas que, aqui ou ali, um e outro arbusto mais cinza que verde, meio sapecados pelo sol se sustentasse o suficiente para fazer um pouco de sombra para aquele semi-ser à beira da estrada. Parece exagero, mas imagine ou tente achar dignidade naquela pessoa...
Por vários quilômetros fiquei em silêncio. Triste. Tentei fotografar, filmar, mas pensei que seria até desumano. Eu não parei, não joguei uma moeda, apenas diminui a velocidade. Ademais tudo aquilo já havia sido registrado em mim.
Além das crianças, havia velhos também. Às vezes em pé, outras vezes sentados sob pequenas cabanas. Ao lado, não havia mais do que a fome e uma plaquinha na qual o carvão expressava em péssimo português a péssima condição em que viviam aquelas pessoas: "Presizamos de alimentos".
Fabio Chagas
Um comentário:
Olá Fábio,acabei de ver o seu blog,tá muito bom.Parabéns!!!Que vc continue levatando questionamentos muitas vezes esquecidos,mas que precisam ser debatidos no meio da sociedade.
Fica com Deus.
Postar um comentário