Sem o drama da obra (To Sir, with Love) de James Clavell, ambientada na Londres da década de 1960, meu título fica pesadamente piegas. Mas isso não é um problema tão grande assim. Aliás, isso não é quase nada frente as descobertas que tenho feito ao longo da vida.
Quando era menino não entendia minha mãe. Não compreendia. Na juventude, desconhecia minha namorada, noiva e esposa. Adulto, começo a perceber a psico-lógica de minha filha mais velha e a perspicácia da mais nova. Mas vamos destrinchar tudo isso com calma...
Lembro-me de algumas surras, castigos e proibições que recebia na infância por conta de alguns comportamentos abominados por minha mãe. Se eu mentisse, apanhava. Falando a verdade, é mais provável que isso acontecesse. "Se você apanhar de alguém na rua, apanha quando chegar em casa; se bater em alguém, apanha o dobro.", dizia ela.
E aí? Como uma criança sai dessa situação? Mais tarde a ficha caiu: minha mãe queria um filho que soubesse dialogar, resolver as coisas sem partir pra porrada. E queria que eu entendesse que a verdade às vezes machuca, mas a mentira machuca e deixa cicatrizes. A dor da verdade vem junto com uma sensação leve de ter feito a coisa certa e essa leveza do ser é insuperável.
No entanto, a DOR da verdade eu conheci há uns dois ou três anos...
Chego em casa um dia e invento de cozinhar nem lembro o quê. Precisava da penela da pressão. Procurei e não encontrei. Perguntei à minha esposa:
_ Onde está a panela de pressão?
_ Joguei fora. Respondeu ela.
Sim. Um silêncio denso manteve a distância entre mim e ela.
_ Jogou fora? A panela que minha mãe deu pra gente? Perguntei.
_ Joguei. Ficou muito tempo na geladeira com uma carne dentro e a carne estragou... fiquei com nojo e joguei fora.
Sai de perto e fui me envenenar longe dela. Não podia admitir que alguém jogasse fora uma panela de pressão pelo simples fato de haver comida estragada dentro. Por que não lavar?
Alguns dias depois, numa dinâmica na faculdade acabei percebendo como eu havia sido machista. Logo eu, O Liberal, não tive a capacidade de lavar a panela que eu também havia permitido ficar tanto tempo na geladeira. Mas, vencido o terror de descobrir que eu não era tão menos machista que a maioria dos homens, passei a descobrir outras coisas que ainda não havia percebido em minha esposa.
Quando engravidamos de nossa segunda filha, estávamos num momento muito agitado de nossa vida. É claro que planejamos ter outro filho (no caso, filha), paramos com o anticoncepcional e fizemos muito sexo. Mas vivíamos nos rocks, bebíamos, minha esposa fumava cada vez mais e isso me preocupava. Eu imaginava que quando ela engravidasse não pararia com aqueles vícios.
Nas primeiras semanas da gravidez, com a confirmação, ela parou de fumar e nunca mais - nossa filha já está com um ano e três meses - fumou. Sem falar que ficou toda a gravidez e amamentação sem beber.
Sei o quanto é difícil deixar um vício. Não acreditava que ela pudesse parar e parou. E a cada dia vejo como minha esposa é forte, centrada, bem humorada e tem uma paciência absurda, sobretudo comigo.
Na próxima postagem,
A psico-lógica e a perspicácia das minhas duas meninas.
Até breve.
Fabio Chagas
2 comentários:
Obrigada pelo "mestra".
Te amo muito e ainda vou melhorar mais essa minha desorganização.
Beijos da esposa apaixonada
podia ter deixado fluir o texto... do meio para o fim deu uma engessada...difícil falar essas coisas e deixá-las com a docotomia: suavidade/força...
As mulheres de minha vida estão por esse mesmo caminho apontado... só me faltam as filhas...
Postar um comentário